AIEA confirma que Irã retirou lacres da central nuclear

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou hoje em Viena que o Irã retirou os lacres que selavam a instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, o que pode aumentar a tensão no conflito nuclear com o Ocidente. "Começou o processo de retirada dos lacres de Natanz na presença dos inspetores, o que pode durar um bom tempo", disse a porta-voz da AIEA, Melissa Fleming. A central de Natanz, no centro do Irã, tem como objetivo enriquecer urânio em centrífugas de gás para produzir combustível nuclear. Tal processo é o mais sensível do chamado "ciclo de combustível nuclear", já que tem tanto aplicações civis como militares, dependendo do grau de pureza que é dado ao urânio enriquecido.O subdiretor do Organismo de Energia Atômica iraniano, Mohammed Saidi, anunciou hoje em Teerã que foram retirados os selos de instalações nucleares no país e que técnicos iranianos recomeçaram os trabalhos de pesquisa nuclear, como haviam anunciado na semana passada.Fontes diplomáticas disseram em Viena que o secretariado do organismo internacional informará esta tarde os 35 países-membros do Conselho de Governadores da AIEA sobre os planos do Irã, que incluem outras centrais, além de Natanz. "A AIEA sabe agora o que o Irã quer fazer em suas instalações nucleares", disse uma das fontes.Outro diplomata disse que os trabalhos que Teerã quer realizar "estão relacionados com seu programa de enriquecimento de urânio", o que certamente acirrará o conflito tanto com os Estados Unidos como com a União Européia (UE).O Conselho de Governadores da AIEA adotou anteriormente várias resoluções em que pedia ao Irã que mantivesse suas instalações de enriquecimento de urânio seladas e paralisadas como uma medida de criação de confiança para que a crise nuclear fosse solucionada por meios diplomáticos.Em uma resolução aprovada em 24 de setembro, o Conselho constatou que o Irã tinha violado suas obrigações de salvaguardas (controles), o que, segundo o estatuto da AIEA, requer uma denúncia ao Conselho de Segurança da ONU, que tem poderes para ditar sanções.Após as recentes atitudes do Irã, uma denúncia agora parece iminente, já que os Estados Unidos e a UE contam com um respaldo majoritário no Conselho para levar o caso ao órgão máximo da ONU.Por causa da pretensão do Irã de produzir urânio enriquecido, Washington e os países europeus temem que Teerã queira usar esses conhecimentos para construir bombas nucleares. O Irã nega estas acusações e assegura que seus esforços no campo nuclear só têm objetivos civis e pacíficos, como a geração de energia elétrica.

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