AIEA diz que negociações com o Irã 'andam em círculos'

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e o Irã estão "andando em círculos" após o fracasso de dez reuniões a respeito das suspeitas de que Teerã realiza pesquisas para fabricar armas nucleares, declarou nesta segunda-feira Yukiya Amano, diretor-geral da agência de observação nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU).

Agência Estado

03 de junho de 2013 | 10h14

"Para ser franco, já há algum tempos estamos andando em círculos", declarou Amano durante uma reunião trimestral a portas fechadas do conselho da AIEA.

"Esta não é a forma correta de conduzir questões de tamanha importância para a comunidade internacional, incluindo o Irã", disse ele, segundo o texto de seu discurso, feito em Viena.

"Precisamos chegar a resultados concretos sem mais adiamentos para retomar a confiança internacional a respeito da natureza pacífica das atividades nucleares do Irã".

Nessas 10 rodadas de negociação, sendo que a última ocorreu em 15 de maio, a AIEA pressionou o Irã a garantir o acesso a documentos, pessoas e locais envolvidos nos supostos esforços de Teerã para desenvolver armas atômicas.

O Irã diz que as suspeitas da AIEA são baseadas em informações equivocadas de inteligência de agências estrangeiras de espionagem como a CIA e o Mossad, de Israel. Teerã reclama que não recebeu sequer permissão para ver as acusações.

Os locais que a AIEA quer visitar incluem a base militar de Parchin, perto de Teerã, onde, suspeita-se, o Irã tenha construído um grande compartimento de contenção de explosivos para realizar experimentos que, segundo a AIEA seriam "fortes indícios de possível desenvolvimento de armas nucleares".

O inspetor-chefe da AIEA, Herman Nackaerts, disse, durante uma reunião a portas fechadas na semana passada, que as intensas atividades de construção vistas por satélite em Parchin, significam que a agência pode encontrar evidências no local.

Negociações paralelas entre o Irã e as seis potências mundiais - Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha - também estão paralisadas desde a última reunião em Almaty, no Casaquistão, no início de abril. Fonte: Dow Jones Newswire.

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