AIEA diz que roubo de urânio é frequente

A tentativa frustrada de contrabando de urânio enriquecido da Geórgia - relatada na terça-feira em Washington pelo presidente Mikhail Saakashvili - é apenas o exemplo mais recente do assédio de supostos grupos terroristas sobre os estoques de urânio de países periféricos. Desde 1990, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) já registrou 18 incidentes em que material atômico foi roubado ou perdido, a maioria deles na Geórgia.

João Paulo Charleaux, com Reuters e Ap, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2010 | 00h00

"O Ministério do Interior frustrou oito tentativas de tráfico ilegal de urânio enriquecido nos últimos dez anos, incluindo casos em que grupos tentaram conseguir urânio com um nível de enriquecimento capaz de ser usado em armas atômicas", disse Saakashvili. São necessários 25 quilos de urânio altamente enriquecido para uma bomba.

Facilidade. Embora o material nuclear apresente riscos para quem o manuseia, o professor do Departamento de Física Nuclear da USP, Alejandro Toledo, explica que ele pode ser transportado em pequenos recipientes de chumbo.

"A radiação emitida por essas barras, pós ou pastas pode ser barrada por um barril como o utilizado para transportar petróleo, por exemplo", disse Toledo.

Mesmo com pouca quantidade, terroristas poderiam fabricar uma "bomba suja", mesclando material radioativo com explosivo convencional, capaz de espalhar radiação por centenas de metros.

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