AIEA é injusta e tendenciosa e está em 'crise de credibilidade', diz Irã

Diretor atômico de Teerã ataca agência por seu último relatório sobre programa nuclear iraniano

AE, Agência Estado

20 de setembro de 2010 | 18h02

O diretor da Organização da Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, criticou nesta segunda-feira, 20, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de fiscalização nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

Veja também:

especialEspecial: O programa nuclear do Irã

lista Veja as sanções já aplicadas contra o Irã

 

Durante uma importante reunião, ele afirmou que o organismo é tendencioso e injusto e sofre com uma "crise de autoridade moral e de credibilidade".

Dirigindo-se aos participantes do primeiro dia da conferência geral anual da AIEA em sua sede, em Viena, Salehi atacou a agência por seu último relatório sobre o Irã, dizendo que o documento ultrapassou do mandato da entidade e que "não foi escrito com base na imparcialidade e na justiça".

 

As declarações marcam a deterioração das já problemáticas relações entre Teerã e a AIEA.

O relatório "não mostrou alternativa e apenas reflete o conceito de influência política exercida por certos poderes na tendência de tomada de decisão deste órgão técnico internacional", disse Salehi. "Parece que a agência está sofrendo de uma crise de autoridade moral e de credibilidade".

A AIEA tem investigado os controversos esforços atômicos iranianos, que países ocidentais acreditam que seja uma forma de encobrir a fabricação de uma bomba nuclear no prazo de oito anos.

 

O Irã rejeita veementemente a acusação, afirmando que as atividades são absolutamente pacíficas.

Apesar disso, o último relatório do diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, disse que a República Islâmica está dificultando o trabalho da agência ao impedir a entrada de inspetores experientes.

 

A agência descobriu que o Irã continua a aumentar seus estoques de urânio de baixo e alto enriquecimento, desafiando as ordens da ONU de interromper esse tipo de atividade, além do fato de o Irã continuar a se recusar a responder perguntas sobre a possível dimensão militar ligada às atividades nucleares.

EUA

Em discurso durante a conferência geral hoje, o chefe da delegação norte-americana, o secretário de Energia Steven Chu, criticou o Irã por sua "intransigência" e pelo contínuo desafio às resoluções da AIEA e do Conselho de Segurança.

"Embora continuemos a reconhecer o direito do Irã de desenvolver um programa nuclear civil e pacífico e permaneçamos comprometidos a chegar a uma solução diplomática, o Irã deve fazer o que até agora falhou em fazer - cumprir suas obrigações e assegurar ao resto do mundo a natureza pacífica de suas intenções", disse Chu. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
nuclearIrãEUAAIEAONU

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.