AIEA e Irã estão perto de acordo nuclear

Chefe da agência atômica da ONU diz que faltam 'detalhes' para acerto com Teerã

VIENA, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2012 | 03h03

Yukiya Amano, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), informou ontem que está próximo de um acordo com o governo do Irã para esclarecer as dúvidas sobre a natureza do programa nuclear iraniano. De volta a Viena, após negociações em Teerã, ele disse que as diferenças que existem são "apenas detalhes" e não impedirão o acerto.

A possibilidade de acordo foi divulgada poucas horas antes da reunião entre o Irã e o grupo P5+1 (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha), marcada para hoje em Bagdá, no Iraque. O encontro pode representar uma virada significativa na disputa sobre as intenções nucleares iranianas e evitar um eventual ataque militar às usinas do país.

As potências ocidentais esperam que as negociações de Bagdá terminem em um acordo para que o Irã pare de enriquecer urânio em um porcentual que poderia rapidamente ser usado em armas nucleares. Teerã, no entanto, nega que esteja construindo uma bomba atômica e afirma que seus reatores são apenas para produzir energia e pesquisas médicas.

Ao firmar um compromisso com os investigadores da AIEA, agência atômica da ONU, os negociadores iranianos em Bagdá podem argumentar que o outro lado é que deve agora mostrar mais flexibilidade e moderar suas exigências.

Embora a visita de Amano e as negociações em Bagdá sejam coisas distintas, o Irã espera que o progresso com a AIEA melhore suas chances de pressionar os EUA e a União Europeia a rever as sanções que afetam fortemente suas exportações de petróleo e colocaram o país na lista negra da rede bancária internacional.

Base de Parchin. Após as reuniões em Teerã com negociador iraniano Said Jalili, Amano disse que não é possível determinar uma data exata para a assinatura do acordo, mas que isso será "resolvido em poucos dias". "Foi tomada a decisão de assinar um acordo. Seguem existindo algumas diferenças, mas elas não serão um obstáculo", disse o chefe da AIEA ainda no aeroporto de Viena.

Embora não tenha dado detalhes sobre o acordo, Amano mencionou que o acerto incluirá o tema da Base de Parchin, instalação militar que os inspetores da agência insistem em visitar. Na última vez em que estiveram no Irã, há dois meses, os inspetores da AIEA foram proibidos de ir até o local.

Na semana passada, o desenho de uma suposta câmara de testes nucleares de Parchin, que seria usada para desenvolver uma bomba, foi entregue à imprensa, aumentando a pressão sobre o Irã.

A Casa Branca afirmou ontem que o anúncio do acordo entre Irã e AIEA representa "um passo adiante", mas advertiu que Washington julgará Teerã por seus atos. "Trata-se apenas de uma promessa, das que o Irã fez muito no passado", disse o porta-voz da presidência americana, Jay Carney (mais informações nesta página).

Para Israel, o anúncio é uma tentativa iraniana de criar uma "ilusão" de progresso nas negociações. "Parece que o Irã está tentando firmar um acordo técnico, que dê essa ilusão de progresso e diminua a pressão sobre seus negociadores em Bagdá e evite novas sanções", disse Ehud Barak, ministro da Defesa israelense. / REUTERS e AP

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