AIEA e Teerã chegam a acordo para amplicar monitoramento

O Irã concordou nesta segunda-feira com a expansão do monitoramento da Organização das Nações Unidas (ONU) nas instalações nucleares do país, o que inclui um novo reator, informou a televisão estatal iraniana. O acordo pode impulsionar negociações mais amplas a respeito do programa atômico de Teerã.

Agência Estado

11 de novembro de 2013 | 10h41

O acordo foi fechado durante negociações em Teerã com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, como parte de uma iniciativa paralela para ampliar os esforços com o objetivo de aliviar os temores ocidentais sobre a possibilidade de o Irã desenvolver armas nucleares, algo que Teerã nega.

A promessa de conceder acesso a inspetores da ONU a instalações iranianas pode ajudar no avanço das negociações entre Irã e as potências mundiais. As conversações no final de semana envolvendo Estados Unidos, Rússia, França, China e Alemanha não resultaram num acordo, mas elas devem ser retomadas na próxima semana em Genebra.

O chamado "mapa do caminho", descrito pela televisão estatal iraniana, permitirá aos inspetores da AIEA ter acesso a uma importante mina de urânio e ao local onde deve ser construído um reator de água pesada, que usa um diferente tipo de refrigerante em vez de água convencional e produz uma quantidade maior de subprodutos de plutônio do que reatores convencionais.

Durante as negociações em Genebra no final de semana, entre o Irã e as seis potências, a França insistiu que mais controles são necessários para o reator, que deve ser construído na cidade central de Arak.

O plutônio pode ser usado na produção de armas nucleares, mas a separação de seus subprodutos exige tecnologia especial que, atualmente, o Irã não tem. O acordo desta segunda-feira pode também abrir caminho para inspeções mais amplas, embora nenhum detalhe tenha sido divulgado.

"As medidas práticas serão implementadas nos próximos três meses, a partir de hoje", disse o diretor-geral da AIEA, Yukiyo Amano, em coletiva de imprensa em Teerã.

O anúncio, porém, não mencionou a instalação militar de Parchin, que fica a sudeste de Teerã. A AIEA quer visitar novamente o local para investigar a suspeita de que testes explosivos, relacionados a possíveis disparadores nucleares, foram realizados. O Irã nega as acusações, mas tem se negado a abrir a base.

Inspetores da ONU trabalham no Irã há anos, mas reclamam do acesso limitado a algumas áreas e a algumas autoridades. As negociações entre a AIEA e Teerã sempre foram uma iniciativa separada, embora relacionada, às negociações internacionais com o Irã sobre seu controverso programa nuclear. Fonte: Associated Press.

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