AIEA encontra novos traços de urânio altamente enriquecido no Irã

Os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) encontraram, em uma antiga instalação nuclear do Irã, novos traços de urânio altamente enriquecido que Teerã não tinha comunicado anteriormente ao organismo atômico da ONU.Segundo fontes diplomáticas consultadas pela EFE em Viena, estes seriam os primeiros resultados de amostras ambientais extraídas do antigo centro de pesquisa de Lavisan-Shian, perto de Teerã. O Irã tinha desmantelado e derrubado totalmente esse complexo em 2004, antes que a AIEA pudesse examinar a instalação naquele ano.Fontes da AIEA não quiseram comentar nesta sexta-feira as informações, nem se os vestígios de urânio poderiam estar relacionados a testes feitos pelo organismo internacional no Irã em fevereiro passado. Eles também não revelaram detalhes sobre seu grau de enriquecimento e sua origem.Os restos de urânio enriquecido achados em algumas ocasiões anteriores procediam, supostamente, de equipamentos que o Irã tinha adquirido do Paquistão no mercado negro nos anos 80 e não se exclui que, neste caso mais recente, a procedência seja a mesma.A produção de urânio enriquecido é legal segundo o direito internacional, mas especialmente sensível, devido a seu duplo uso, civil e militar. Dependendo do grau de enriquecimento, o urânio pode servir para fabricar bombas (mais de 90%) ou para produzir combustível nuclear (cerca de 5%).Enquanto isso, Alemanha, França e Reino Unido preparam um novo "pacote" de incentivos para que o Irã renuncie a seu programa de enriquecimento de urânio.Segundo afirmaram fontes diplomáticas, a UE quer que a cooperação sem reservas do Irã com a AIEA e a suspensão do enriquecimento de urânio fiquem vinculadas a uma resolução da ONU.O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu nesta sexta-feira em Viena, durante seu discurso na 4ª cúpula entre a UE, a América Latina e o Caribe, que Irã e Estados Unidos iniciem um diálogo direto para chegar a uma solução negociada do conflito.

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