AIEA encontra urânio enriquecido a 27% no Irã

Agência nuclear da ONU pede explicações a Teerã, que alega que material coletado é resultado de erro no ajuste das centrífugas da usina de Fordo

VIENA, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2012 | 03h05

Diplomatas da a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disseram ontem que encontraram vestígios de urânio enriquecido a 27% na instalação iraniana de Fordo, o que significa que o país pode estar perto de produzir urânio enriquecido para armas nucleares. As autoridades iranianas alegam que o material enriquecido um pouco acima do normal é resultado de uma "falha técnica".

Segundo inspetores da agência da ONU, que falaram sob anonimato, esse nível representa quase 90% do necessário para fabricar ogivas nucleares e está acima do nível de enriquecimento do Irã até então conhecido. Eles ressaltaram, porém, que o material não significa necessariamente que Teerã esteja enriquecendo urânio a nível bélico.

De acordo com eles, realmente é possível que o material encontrado na usina seja resultado de um ajuste errado das centrífugas no início do processo. "Não é necessariamente um sinal de que o Irã esteja enriquecendo urânio acima do declarado", disse um representante da AIEA em Viena.

Proliferação. De acordo com ele, inspetores da agência já encontraram traços de urânio enriquecido acima de 20% em outras ocasiões na Usina de Natanz. Ainda assim, a AIEA pediu formalmente uma explicação sobre o caso a Teerã.

Mark Fitzpatrick, diretor do Programa de Não Proliferação do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, descreveu o aumento inesperado da taxa de urânio enriquecido como "um acontecimento natural". "É comum que ele ultrapasse determinado patamar quando as centrífugas estão começando a funcionar", disse.

Em Washington, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, disse que "existem várias explicações possíveis, incluindo a dada pelos iranianos". "A AIEA, contudo, tem de analisar a fundo a situação", afirmou.

Entre os mais céticos, no entanto, estão os israelenses, Um funcionário do Ministério da Defesa de Israel, que preferiu não se identificar, disse ontem que à Associated Press que a notícia não surpreendeu o governo do premiê Binyamin Netanyahu. "O Irã não pretende interromper seu programa nuclear e o fato de ter enriquecido urânio a 27% mostra quais são suas intenções", disse.

Diálogo. A informação circulou um dia após o fim das negociações entre Irã e o grupo P5+1 (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha), em Bagdá. As seis potências da ONU tentam convencer o Irã a limitar o enriquecimento de urânio e permitir uma inspeção mais ampla de especialistas da ONU.

Teerã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos, voltado para a produção de energia e para o uso em tratamentos médicos. O governo iraniano exige que as sanções internacionais impostas ao país sejam suspensas. As negociações serão retomadas em junho, em Moscou.

Em outra frente de negociação, Irã e AIEA tiveram reuniões consideradas "positivas" no início da semana. Um acordo sobre o futuro do programa nuclear iraniano poderia ser firmado "em breve", segundo o diretor-geral da agência da ONU, Yukiya Amano. / AP, REUTERS e NYT

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