AIEA identifica traços de urânio com enriquecimento elevado no Irã

VIENA - Inspetores da agência nuclear da ONU encontraram partículas de urânio refinado até um nível superior ao esperado num espaço subterrâneo onde o governo instalou mais de 50 por cento de centrífugas adicionais, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira, 25, pela Agência Internacional de Energia Atômica.

FREDRIK DAHL, REUTERS

25 Maio 2012 | 18h03

O Irã, segundo o relatório, atribuiu isso a "razões técnicas" alheias ao seu controle. "A Agência está avaliando a explicação do Irã e solicitou mais detalhes", disse o texto.

Os Estados Unidos, que acusam o Irã de tentar desenvolver armas atômicas, disseram que a versão iraniana é plausível.

"Há várias explicações possíveis para isso, inclusive a que os iranianos forneceram", afirmou Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado. "Vamos depender da AIEA para ir até o fundo disso."

O urânio enriquecido pode ser usado como combustível para reatores nucleares ou, num grau de pureza muito maior, na fabricação de armas atômicas, o que Teerã diz não ser seu objetivo.

O relatório da AIEA diz que amostras ambientais colhidas em fevereiro na usina subterrânea de Fordow mostram a presença de partículas enriquecidas a 27 por cento. O Irã havia declarado que a usina enriquecia urânio a no máximo 20 por cento. Acima disso, o urânio já é considerado altamente enriquecido.

Novas amostras foram recolhidas neste mês, para que os testes sejam confirmados.

David Albright, especialista norte-americano em proliferação nuclear, disse que uma falha técnica pode ter resultado na medição realizada, mas que mesmo assim a descoberta é "constrangedora para o Irã".

O relatório da AIEA sugere que o urânio adicionalmente enriquecido pode ser resultado de um fenômeno técnico associado ao início da operação da rede de centrífugas.

A avaliação trimestral da AIEA foi divulgada um dia depois do encerramento de reuniões, na quarta e quinta-feira em Bagdá, nas quais potências mundiais -EUA, Rússia, Grã-Bretanha, Alemanha, China e França- tentaram sem sucesso convencer o Irã a suspender seu enriquecimento de urânio a 20 por cento.

O Irã começou a enriquecer urânio nesse grau em 2010, e desde então ampliou drasticamente a atividade, alegando a necessidade de abastecer um reator de pesquisas médicas.

O Ocidente teme que, passando o limite dos 20 por cento, o Irã consiga facilmente superar os obstáculos necessários para chegar a um grau de pureza superior a 90 por cento, que é necessário para o uso em armas atômicas.

(Reportagem adicional de Arshad Mohammed, em Washington)

Mais conteúdo sobre:
ONU IRA NUCLEAR*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.