AIEA inicia nesta segunda-feira reunião sobre crise nuclear do Irã

O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) se reúne a partir desta segunda-feira em Viena para avaliar o mais recente relatório técnico do programa nuclear do Irã que, salvo surpresa de última hora, será remitido ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. Este passo é praticamente certo após o fim das possibilidades de acordo entre Irã e União Européia (UE) na sexta-feira durante um encontro entre Alemanha, França e Grã-Bretanha (UE-3) e um alto representante iraniano. Teerã rejeitou uma moratória plena em suas atividades de enriquecimento de urânio - material que tem aplicações tanto civis como militares - como exige a UE, e pretende manter suas pesquisas em pequena escala com fins científicos. A Rússia também exige suspensão plena para dar via livre à criação de uma empresa mista com o Irã em solo russo que sirva para abastecer as usinas atômicas do país de combustível nuclear, o que acabaria com os receios internacionais. O Conselho de Segurança da ONU, órgão máximo das Nações Unidas, tem os poderes de estabelecer sanções contra o Irã, possibilidade que, por enquanto, é descartada por todas as partes envolvidas. Dada a insistência do Irã em enriquecer urânio, UE e EUA duvidam que seu programa nuclear seja pacífico, algo que a AIEA ainda não foi capaz de certificar, mesmo após três anos de intensas inspeções. A suspensão completa como medida de confiança é uma das exigências incluídas na última resolução da AIEA, com um respaldo de 27 dos 35 países-membros da executiva do organismo. "É deplorável e preocupante que as incertezas relativas ao alcance e à natureza do programa nuclear do Irã não se tenham esclarecido após três anos de verificação intensa por parte do organismo", diz o relatório do diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, que será debatido na Junta. O documento também diz que o Irã anunciou à AIEA sua intenção de instalar 3.000 centrífugas de gás no último trimestre de 2006. Enriquecer urânio é uma atividade legal sob o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP) desde que seja para fins pacíficos, algo que a AIEA não pôde comprovar até agora de forma definitiva no caso do Irã.

Agencia Estado,

06 Março 2006 | 06h01

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