AIEA inicia reunião para ratificar corte de ajuda ao Irã

A diretoria da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) iniciou na segunda-feira, 5, uma reunião que deve ratificar o corte na ajuda técnica ao Irã, em conseqüência da recusa do país em suspender as atividades de enriquecimento capazes de levarem ao desenvolvimento de armas nucleares. Seis potências nucleares discutem atualmente uma ampliação das sanções da ONU em vigor desde dezembro contra o Irã, que tinha até 21 de fevereiro para suspender o enriquecimento. Autoridades norte-americanas esperam que as diferenças entre os seis países sejam rapidamente superadas. A ONU já havia proibido a transferência de tecnologia e materiais relativos ao programa nuclear, apesar de Teerã insistir no caráter pacífico dessas atividades. A reunião da AIEA deve durar quatro dias, nos quais devem ser aprovados cortes a vários projetos de ajuda técnica ao Irã, refletindo a resolução inicial da ONU. Além disso, os 35 países da direção devem também fazem uma menção positiva ao acordo multilateral de fevereiro que marcou um aparente recuo da Coréia do Norte em seu programa de armas nucleares. O diretor da AIEA, Mohammed El Baradei, viaja no dia 13 a Pyongyang para discutir detalhes do fechamento do principal reator nuclear do país e a volta dos inspetores internacionais à Coréia do Norte, após um hiato de quatro anos. Se ele voltar com a autorização para enviar os inspetores, a direção da AIEA vai se reunir especialmente para aprovar esse item, segundo uma fonte da agência. A direção também espera de El Baradei uma perspectiva sobre a atividade atômica iraniana e sobre a implementação do acordo com a Coréia do Norte. Em 22 de fevereiro, a AIEA disse que o Irã havia instalado duas redes subterrâneas com 164 centrífugas nucleares cada, e que outras duas estavam quase prontas. Dessa forma, o país estaria tentando passar da fase experimental do enriquecimento para uma produção de material físsil em "escala industrial", o que incluiria o uso de cerca de 3.000 centrífugas até maio. Diplomatas disseram que o Irã ainda não havia começado a injetar gás de urânio nas centrífugas instaladas em Natanz, como o governo prometeu que faria até o final de fevereiro. Mas Teerã continua recusando a instalação de câmeras de vigilância da AIEA junto aos equipamentos. O Irã considera ilegais as exigências da ONU contra o seu programa de enriquecimento.

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