AIEA não pode confirmar natureza do programa nuclear do Irã

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, afirmou nesta segunda-feira, 5, em Viena, que não é capaz de determinar a natureza do polêmico programa atômico do Irã, que já dura 4 anos.ElBaradei disse que Teerã aparentemente pausou seu programa de enriquecimento de urânio enquanto o país espera uma nova resolução da ONU. No entanto, uma fonte ligada ao governo iraniano descartou a possibilidade de que esta pausa se torne permanente."Se o Irã não der respostas a nossas preocupações, teremos que esperar para determinar a natureza do programa", disse ElBaradei à imprensa após a primeira sessão do Conselho de Governadores da AIEA, que se reúne a partir desta segunda-feira na capital austríaca."Peço que o Irã tome as decisões necessárias para cooperar plenamente com a agência, pois isto ajudaria muito para desativar a crise emergente e tornaria possível um amplo acordo", frisou o diretor-geral da AIEA.Os 35 países membros do órgão executivo da AIEA reúnem-se esta semana para discutir as crises nucleares com a Coréia do Norte e o Irã.Posição da ONUAs principais potências da organização da ONU estudam um novo regime de sanções a Teerã devido ao descumprimento da exigência de suspender seu programa de enriquecimento de urânio. Este é o principal motivo da crise, por causa do possível duplo uso deste projeto, tanto civil como militar."A AIEA nunca se viu tão enfraquecida por uma interferência externa. Se a agência é independente, como ElBaradei disse, o Conselho de Segurança não deveria interferir em nada neste assunto. É uma situação muito infeliz e frustrante e deveria ser enfrentada o mais rápido possível", afirmou Soltanieh.O embaixador acrescentou que Teerã está "plenamente comprometido" em manter sua cooperação com os acordos de salvaguarda do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), mas não mencionou que, nas últimas semanas, o governo iraniano impediu a visita de vários inspetores da AIEA.Os Estados Unidos e a União Européia (UE) suspeitam que o Irã, o quarto maior produtor mundial de petróleo, tem um programa nuclear clandestino com o objetivo de produzir armas atômicas, o que o paísNega.Devido ao fato de que o caso iraniano está nas mãos do Conselho de Segurança da ONU, uma resolução sobre o programa nuclear não é esperada, embora o plenário do Conselho de Governadores da AIEA servirá às duas partes como fórum para esclarecer mais uma vez suas posições na polêmica atômica.Coréia do NorteEnquanto isso, ElBaradei afirmou que sua viagem à Coréia do Norte, que ocorrerá entre 13 e 15 de março, tem como objetivos principais "normalizar as relações" entre a AIEA e Pyongyang e esclarecer as modalidades do envio, em breve, de inspetores da organização ao país.Em fevereiro, o regime comunista da Coréia do Norte aceitou, nas negociações multilaterais, pôr fim ao seu programa nuclear militar e a visita de inspetores da AIEA ao país.O responsável da organização disse que este seria "um passo importante na direção certa", acrescentando que o assunto se agravou nos últimos anos."É a primeira vez que vemos um passo concreto para mudar os rumos da desnuclearização da península coreana e chegar a um amplo acordo, que inclua assuntos econômicos, de segurança e políticos", frisou ElBaradei.Após a visita do diretor-geral da AIEA a Pyongyang, espera-se que seja convocada uma reunião extraordinária do Conselho de Governadores para autorizar o novo envio de especialistas da agência à Coréia do Norte.Os últimos inspetores da AIEA foram expulsos do país no final de 2002, pouco antes de Pyongyang anunciar que deixava o TNP.Em outubro, técnicos norte-coreanos conseguiram detonar uma bomba nuclear, o que causou alarme no mundo todo.

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