REUTERS/Faisal Mahmood
REUTERS/Faisal Mahmood

AIEA não poderá relaxar com o Irã, diz diplomata argentino

Para candidato a liderar a agência da ONU, Teerã cometerá um erro gravíssimo se não cumprir acordo nuclear

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

01 Abril 2016 | 05h00

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não poderá relaxar “nem um minuto” na verificação do acordo sobre o programa nuclear do Irã, disse o diplomata argentino Rafael Grossi, que durante quatro anos foi o negociador da entidade com a República Islâmica. Candidato à diretoria-geral do organismo, ele avaliou que Teerã não cometerá o “erro gravíssimo” de descumprir o pacto.

Segundo ele, o acordo assinado no ano passado foi o resultado de dez anos de negociações. Apesar de positivo, o documento não representa a solução final para o problema, observou. “Ele congela as capacidades nucleares do Irã e as reduz em alguns aspectos, mas não as elimina de nenhuma maneira. Seus críticos sustentam que dentro de 15 anos ou 10 anos não sabemos o que acontecerá.”

Em sua opinião, Teerã tem um “fortíssimo incentivo econômico” para cumprir o que prometeu. “O acordo tem cláusulas que preveem o restabelecimento de sanções na hipótese de violações.”

Com o “bom momento” em relação ao Irã, Grossi disse que a mais grave fonte de preocupação na área nuclear é a Coreia do Norte. O argentino ressaltou que a República Islâmica nunca teve armas nucleares nem realizou testes ou ensaios nucleares.

“A Coreia do Norte tem feito isso a cada três anos – 2006, 2009, 2013, 2016. Além disso, trabalha na miniaturização das ogivas nucleares, para que possam ser colocadas em um míssil. A situação é muito pior quando comparada à do Irã.”

Em sua avaliação, as sanções internacionais são imprescindíveis, mas foram insuficientes até agora para convencer a Coreia do Norte a negociar. “É preciso uma ação muito firme da comunidade internacional, em particular da China, para que Pyongyang se convença de que não é mais viável fazer o que está fazendo”, observou. “Mas claramente ainda não chegamos a esse ponto.”

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