AIEA nega ajuda técnica ao Irã para construção de reator

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) rejeitou nesta quinta-feira uma solicitação do Irã, que pedia assistência técnica para garantir a segurança de um controverso reator de água pesada, projeto que já foi criticado pelas Nações Unidas por seu possível uso militar. Os 35 países-membros da executiva da AIEA decidiram após três dias de negociações impedir que os especialistas da ONU ajudem os iranianos na construção da central em Arak, a 200 quilômetros de Teerã. O Irã quer concluir a construção do reator de 40 megawatts até o fim da década, e afirma que necessita dele para a produção de isótopos com fins medicinais. No entanto, um reator de água pesada, legal de acordo com o direito internacional, também produz grandes quantidades de plutônio, material essencial para a construção de bombas atômicas. "Caso as intenções do governo do Irã sejam mesmo pacíficas, deveria aceitar a oferta da Europa de construir um reator de água leve, padrão industrial para produzir isótopos e realizar pesquisas nucleares", disse o embaixador dos Estados Unidos na AIEA, Gregory Schulte, à imprensa. O diplomata americano destacou que o projeto em Arak foi "retirado" do programa de Cooperação Técnica (CT) da AIEA, e que essa decisão foi tomada "de maneira consensual. Isso reflete a contínua preocupação da AIEA com o programa nuclear do Irã e com as intenções de seu governo", concluiu. O programa de CT compreende um total de 831 projetos no mundo todo, principalmente em países em desenvolvimento de África, Ásia e América Latina, em campos como a proteção do meio ambiente e a luta contra o câncer e a malária. Em seu discurso no plenário da Junta, o diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, voltou a pedir ao Irã mais cooperação, para poder esclarecer a natureza de seu programa nuclear, realizado em sigilo durante quase 20 anos. Nesse sentido, destacou que Teerã o informou há poucos dias de que permitirá aos inspetores da AIEA recolherem novas mostras ambientais no país, e que fornecerá mais informações sobre a Central Piloto de Enriquecimento de urânio, em Natanz. ElBaradei lembrou que sua investigação "não avança" desde que o assunto está no Conselho de Segurança da ONU, pela decisão do Irã de limitar sua cooperação com a AIEA. Uma resolução adotada pelo Conselho em julho exige que o Irã suspenda seu programa de enriquecimento de urânio, material com possível uso militar, algo a que Teerã não deu atenção até agora. Os EUA e seus aliados europeus temem que o programa nuclear do Irã tenha intenções militares, enquanto Teerã assegura que seus objetivos são meramente pacíficos.

Agencia Estado,

23 Novembro 2006 | 10h50

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