AIEA rastreia vazamentos de radiação em usina japonesa

O complexo nuclear japonês danificado por um terremoto continua a emitir radiação, mas a fonte não está clara, disse um alto funcionário da agência atômica da ONU, enquanto técnicos faziam progressos na restauração da energia elétrica no local.

RISA MAEDA E KAZUNORI TAKADA, REUTERS

22 de março de 2011 | 19h09

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) levantou preocupações quanto à escassez de informações obtidas das autoridades japonesas, enquanto técnicos que lutam para resfriar os reatores enfrentaram temperaturas em alta em volta do núcleo de um dos reatores.

"Continuamos a ver radiação saindo da usina ... e a pergunta é 'de onde, exatamente, ela está vindo?'", disse James Lyons, alto funcionário da AIEA, em coletiva de imprensa em Viena na terça-feira.

Apesar das esperanças de progresso na mais grave crise nuclear mundial em um quarto de século, provocada por um terremoto e um tsunami que deixaram pelo menos 21 mil mortos ou desaparecidos, a Tokyo Electric Power Company (Tepco), empresa que opera a usina, disse que precisa de mais tempo antes que possa declarar que os reatores foram estabilizados.

Um alto funcionário da AIEA, Graham Andrew, disse que a situação total da usina permanece "muito séria" e que a agência atômica está preocupada porque não recebeu algumas informações do Japão sobre a usina nuclear de Fukushima.

"Não recebemos há algum tempo informações validadas relacionadas à integridade de contenção da unidade 1. Logo, estamos preocupados porque não temos conhecimento de seu status exato", disse ele.

A AIEA também não tem informações sobre as temperaturas das piscinas de combustível gasto dos reatores 1, 3 e 4, disse ele, embora o Japão esteja fornecendo outras informações atualizadas.

Técnicos que trabalham dentro de uma zona da qual a população foi retirada em volta da usina, situada na costa Pacífica nordeste do Japão, a 250 quilômetros ao norte de Tóquio, ligaram cabos de força aos seis reatores e ativaram uma bomba em um deles para resfriar os bastões de combustível nuclear superaquecidos.

Na noite de terça-feira a imprensa local informou que a iluminação foi restaurada em uma das salas de controle, levando os operadores um passo mais perto de reativar os sistemas de resfriamento da usina.

Mais cedo, fumaça e vapor foram vistos saindo de dois dos reatores mais ameaçados, os de No. 2 e 3, ameaçando frustrar as esperanças de avanços em seu controle.

Ao longo da crise já ocorreram várias explosões de vapor dos reatores, que, segundo especialistas, provavelmente liberaram uma pequena quantidade de partículas radiativas.

Hidehiko Nishiyama, vice-diretor geral da agência japonesa de segurança nuclear, disse mais tarde que a fumaça deixou de sair do reator 3 e que havia apenas uma pequena quantidade no reator 2.

Ele não deu maiores detalhes, mas um vice-presidente executivo da Tepco, Sakae Muto, disse que o núcleo do reator 1 agora está causando preocupação, com temperatura chegando a 380-390 graus Celsius.

"Precisamos reduzir isso um pouco", disse Muto em coletiva de imprensa, acrescentando que o reator foi construído para funcionar a 302 graus Celsius.

Indagado se a situação nos reatores problemáticos está se agravando, ele disse: "Precisamos de mais tempo. Ainda é cedo para dizer que eles estão suficientemente estáveis."

A Reuters relatou anteriormente que a usina de Fukushima estava armazenando mais urânio do que foi projetada originalmente para conter e que ao longo da última década, segundo documentos da empresa e especialistas externos, deixou de fazer várias fiscalizações obrigatórias de segurança.

Questionou-se também se a Tepco teria aguardado tempo demais para bombear água do mar nos reatores e abandonar qualquer esperança de salvar os equipamentos, depois do terremoto e tsunami.

Mas um especialista disse que a fumaça ou vapor visto sobre os reatores não parece estar vinculada à alta nos níveis de radiação.

"Ao todo, tivemos progressos em relação a alguns dias atrás, quando parecia não haver esperança. Mas ainda avaliamos a situação como sendo crítica", disse Per Bystedt, analista da Autoridade Sueca de Proteção contra Radiação.

"O que é positivo é que a energia elétrica já foi mais ou menos conectada a todos os reatores."

(Reportagem adicional de Mayumi Negishi, Paul Eckert e Raju Gopalakrishnan em Tóquio, Jon Herskovitz e Chisa Fujioka em Kamaishi, Frederik Dahl e Sylvia Westall em Viena, Alister Doyle em Oslo, Phil Stewart em Moscou e Christopher Doering em Washington)

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