Reuters/ Stringer
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Agência da ONU diz que segurança de central nuclear na Ucrânia foi colocada em risco

Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, militares russos teriam assumido a gestão da central nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, além do controle da usina de Chernobyl

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2022 | 15h43

Viena- A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da Organização das Nações Unidas (ONU) alertou neste domingo, 6, que um militar russo assumiu a gestão técnica da central nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, o que vai contra os princípios básicos para o funcionamento seguro da instalação. Desde 24 de fevereiros, as forças armadas do país de Vladimir Putin também tomaram o controle da usina de Chernobyl

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou ter "grande preocupação" pela mudança, que, segundo ele, vai contra os pilares indispensáveis da segurança nuclear, ao deixar limitada a capacidade do corpo técnico da instalação de "tomar decisões livres de pressões indevidas". “A direção da usina agora está sob as ordens do comandante das forças russas que tomaram o local na semana passada", garantiu Grossi. 

A AEIA indicou que a autoridade reguladora nuclear ucraniana informou que qualquer ação, inclusive as relacionadas com o funcionamento técnico dos seis reatores, requer a aprovação prévia do comandante russo, segundo comunicado emitido para informar sobre a situação da central. 

Além disso, o diretor-geral do órgão falou sobre um segundo "grave desenvolvimento", ao explicar que, desde o domingo, há problemas para se comunicar com o corpo técnico de Zaporizhzhia, já que as linhas de telefone da instalação não funcionam, assim como não há resposta por mensagens eletrônicas e não há sinal frequente de celular. 

Para o representante, a situação viola outros sete pilares básicos da segurança nuclear, como a regra de manter comunicações entre o regulador nuclear e o operador da central. "A deterioração da situação das comunicações vitais entre o regulador e a central nuclear de Zaporizhzhia é também uma fonte de profunda preocupação, especialmente, durante um conflito armado que pode colocar em perigo as instalações nucleares do país em qualquer momento", disse Grossi. 

O diretor-geral da AEIA ainda afirmou que existem problemas para estabelecer contato com a antiga usina de Chernobyl, onde, em 1986, aconteceu o mais grave acidente nuclear da história. A unidade está sob controle das tropas russas desde 24 de fevereiro. Desde então, os funcionários de Chernobil, assim como acontece com os de Zaporizhzhia, estão trabalhando em três turnos, sem possibilidade de descanso adequado. A AEIA indicou que perdeu contato com todas as instituições da cidade portuária de Mariupol - que está sob ataque de tropas russas - que usam diferentes fontes de materiais radioativos./ EFE

 

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