Carlos Ortega/EFE
Carlos Ortega/EFE

Oposição se encontra com Duque e exige renda básica e acesso grátis à universidade

Presidente classificou diálogo como ‘produtivo’, mas membros da Coalición de la Esperanza dizem que há muito trabalho a ser feito

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2021 | 18h17

BOGOTÁ - Oponentes políticos se reuniram com o presidente colombiano Iván Duque nesta sexta-feira, 7, e pediram renda básica, gratuidade do ensino superior e a criação de um plano nacional de emergência, entre outras ações, para solucionar a crise política no país. Participaram do encontro membros da Coalición de la Esperanza, uma aliança política de centro-esquerda para as eleições de 2022. A Colômbia enfrenta há dez dias manifestações em massa que deixaram ao menos 20 mortos e centenas de feridos.

Representantes da aliança apresentaram a Duque uma série de exigências, que passam pela criação de um plano nacional de emergência, renda básica para 6,2 milhões de famílias pobres e “matrícula zero” para que os jovens, grande maioria dos manifestantes, tenham acesso facilitado ao ensino superior público. A coalizão pediu também a implantação de  mecanismos de urgência para salvaguardar os direitos humanos e um regime tributário verdadeiramente progressivo, equitativo e eficiente, de acordo com a Constituição.

Duque expressou otimismo após a reunião. “Tivemos um encontro produtivo com a Coalizão da Esperança, uma grande oportunidade de diálogo, superação de divergências e sem marcação de pontos políticos”, disse Duque no Twitter, referindo-se ao grupo de políticos.

 

Mas os participantes da oposição disseram que Duque precisava trabalhar muito para atender às demandas de ação contra a pobreza, o desemprego e o fim da violência policial. “Entramos em negociações com o presidente Ivan Duque como oposição e saímos como oposição", disse Jorge Robledo, senador do partido Dignidade, da Colômbia. "Apresentamos nossos pontos de vista e ele expôs os dele."

A Coalizão instou Duque a se reunir com membros da sociedade civil que organizaram os protestos. O governo deve se reunir na segunda-feira com o comitê nacional de greve - formado por sindicatos e outros grupos - mas disse que está disposto a levar a reunião adiante.

As manifestações iniciadas na semana passada protestam contra um plano de reforma tributária que aumentaria impostos sobre vendas no país. Duque retirou a proposta, mas os protestos continuaram, incluindo demandas como renda básica e a retirada de uma reforma da saúde que opositores consideram muito vaga para corrigir as desigualdades. 

Nesta sexta-feira, Duque pediu aos manifestantes que retirem os bloqueios de estradas que estão causando a escassez de alimentos e medicamentos. “Não há justificativa para que haja bloqueios que impeçam que alimentos cheguem às casas de tantas famílias, oxigênio chegue aos postos de saúde, cheguem vacinas, que é o que nos permite avançar na reativação”, disse Duque a jornalistas em Bogotá.

Duque não pode concorrer no próximo ano, mas o descontentamento das pessoas pode prejudicar seu partido. O que está acontecendo nos protestos "não é favorável para o governo, nem para seu partido, nem para seu destino eleitoral em 2022", disse o analista Sergio Guzman, da Colombia Risk Analysis. /REUTERS e EFE

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