Airbus diz que avião podia operar sem o reversor

A empresa Airbus disse na sexta-feira que o tipo de aeronave envolvida no acidente de terça-feira em São Paulo pode operar até dez dias com um reversor defeituoso. Na terça-feira, o Airbus A320 da TAM, vindo de Porto Alegre, teve dificuldades para pousar em Congonhas. O vôo JJ 3054 da TAM ultrapassou o limite da pista de pouso e se chocou com um prédio da própria companhia, localizado na rua em frente ao aeroporto, explodindo e matando cerca de 190 pessoas. A revelação de que um dos reversores do avião não estava operando desde a semana passada afastou parcialmente a hipótese de que a causa do acidente tenha sido um problema na pista de Congonhas. "A Lista de Equipamento Mínimo do A320 aprovada pelas autoridades certificadoras estipula que o avião pode voar por até dez dias com um reversor inoperante", disse uma porta-voz na sede da Airbus, em Toulouse, na França. Os reversores servem como complemento aos freios do avião, mas especialistas afirmam que não são essenciais na frenagem e que normalmente é seguro voar sem eles. Por isso, os reversores não são parte dos itens obrigatórios de um avião -- a chamada Lista de Equipamento Mínimo (MEL, na sigla em inglês). A vantagem desse equipamento para as empresas e pilotos é que ele reduz o uso dos freios e pode reduzir o espaço de pouso quando necessário. Os freios estão entre os itens com manutenção mais cara nos aviões. "Os reversores são considerados bons de se ter, mas não são um kit essencial", disse David Learmount, piloto profissional e editor de Operações e Segurança da revista Flight International. "(Mas) é outra questão sobre se era sensato (operar sem o reversor) nas condições que prevaleciam no momento", ressalvou o piloto, referindo-se à chuva na hora do acidente e às condições escorregadias da pista. Outros analistas disseram que o reversor poderia ter contribuído com o pouso numa pista pequena e sem escape como a de Congonhas. Possivelmente a falta do reversor não bastaria para causar o acidente, mas pode ter contribuído com outros fatores, como a velocidade no pouso, o ponto de toque no solo, a água na pista, o mau tempo e outros problemas técnicos, segundo o consultor de aviação Pierre Condon. "Todos os dias há aviões voando sem reversores. Não é anormal, embora talvez esse não seja tanto o caso em um A320", disse Condon, ex-editor da revista especializada francesa Air & Cosmos. Learmount lembrou que pistas novas e ainda sem o "grooving" (ranhuras), como Congonhas, tendem a ser mais escorregadias do que as antigas. A pista onde ocorreu o acidente da TAM havia sido recém-reformada e ainda não havia recebido as ranhuras que aumentam o atrito e contribuem com a drenagem. As autoridades dizem que a pista, fechada desde o acidente, cumpria as normas de segurança. "Ninguém é perfeito e nenhum piloto pousa perfeitamente, mas há margens que você tem, como o comprimento da pista e os reversores", disse Condon. "Mas o piloto não tinha margem porque a pista não é longa e faltava um reversor." A TAM afirma que o piloto estava acostumado a fazer pousos e decolagens em Congonhas.

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