Ajuda à Argentina não foi de graça

As mudanças que o governobrasileiro concordou em fazer no Mercosul para ajudar a Argentina a sair da crise nãosaíram de graça.Em troca, o Brasil convenceu o parceiro comercial a apoiar as propostas brasileiras aserem defendidas nas negociações para a formação da Área de Livre Comércio dasAméricas (Alca), inclusive com relação à entrada em vigor da Alca, debate que ganhouforça depois da proposta do Chile, apoiada pelo Canadá e pelos Estados Unidos, deadiantar a integração comercial do continente.Na semana passada, o Brasil anunciou apoio à proposta da Argentina de elevar aTarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul para bens de consumo a 35% e reduzir a zero aTEC para bens de capital.As mudanças, em caráter temporário e exclusivamente para aArgentina, integram o plano de competitividade do ministro da Economia, DomingoCavallo.Com a troca de apoios, o Mercosul chegará ao encontro ministerial da Alca, na semanaque vem, em Buenos Aires, com propostas comuns.Nessa reunião, os negociadores vãopreparar o texto básico sobre o desenvolvimento das negociações, que será analisadopelos presidentes dos 34 países, na III Cúpula das Américas, em Quebec, entre os dias20 e 22 de abril.A estratégia do governo brasileiro é não deixar que o retrocesso comercial do blocoenfraqueça o aspecto político da integração.O governo brasileiro acredita que aonegociar em bloco, o Mercosul, liderado pelo Brasil, ganhará força na Alca, portanto,aumentará a influência do Brasil nas decisões sobre o futuro da economia docontinente, diminuindo a hegemonia dos Estados Unidos na região.De acordo com fontes do governo e do setor privado, não são muitas as divergênciasentre Brasil e Argentina com relação às negociações na Alca. Mas alguns políticosargentinos chegaram a defender publicamente a proposta do Chile de antecipar o fimdas negociações da Alca.Essas diferenças, de acordo com essas fontes, seriam maiscom relação à forma de negociação do que de conteúdo. Por exemplo, a Argentinadefende que a eliminação das barreiras não-tarifárias (as chamadas barreirastécnicas, como as sanitárias) seja iniciada agora e termine antes da eliminação dasbarreiras tarifárias.O Brasil defende uma posição mais flexível e sugere que as discussões sobre aeliminação de ambas as tarifas seja feita ao mesmo tempo, com um calendário maisextenso.No encontro de Buenos Aires, porém, Brasil e Argentina também terão de convencer osdemais parceiros a aceitar as exceções para a Argentina ou fazerconcessões ao Uruguai e ao Paraguai.Nesta quinta-feira, negociadores dos quatro países sereuniram em Assunção, para analisar as exceções pedidas pela Argentina. De acordo coma imprensa local, alguns setores do Uruguai sugeriram a suspensão do Mercosul por umperíodo de seis meses, até que os países se recuperem das crises na Argentina e nosEstados Unidos.O Paraguai também quer benefícios e pediu que o período de vigênciadas listas de exceção à TEC seja prorrogado. Cada país tem direito a uma lista deexceção com 100 itens, que deverá ser revista até o fim do ano.

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