Ajuda à Venezuela não é interferência, diz Garcia

O enviado do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Venezuela, Marco Aurélio Garcia, afirmou hoje que a posição brasileira de enviar ajuda ao país vizinho não é uma interferência em assuntos domésticos, "como querem alguns setores mais nervosos da oposição" venezuelana. "O que está sendo encaminhado é simplesmente uma medida normal entre dois governos", afirmou, ao deixar o instituto de Cidadania, onde se reuniu com Lula por cerca de meia hora. Garcia justificou a decisão brasileira de ajudar a Venezuela, com o fornecimento de gasolina, dizendo que o objetivo do auxílio é minorar as graves condições de desabastecimento que o país atravessa. Segundo ele, tais condições poderiam "exacerbar o ânimos" entre partidários do governo do presidente Hugo Chávez e oposição, o que poderia provocar saques e revoltas da população. Informações obtidos por Garcia em sua visita à Venezuela na semana passada indicam que 70% da população venezuelana está armada. Segundo Garcia, Lula insiste em advogar uma solução negociada para a crise venezuelana. O atual e o futuro governo brasileiro reconhecem Chávez como o governo constitucional da Venezuela e é apenas com ele que o Brasil manterá relações. "A oposição não pode exigir o mesmo tratamento dado ao governo constitucional. Não há razão para ficarem incomodados com a posição brasileira de ajudar a Venezuela. Garcia explicou que a estabilidade na Venezuela é fundamental para o Brasil porque, em primeiro lugar, trata-se de "uma questão de princípio", já que o governo defende o reforço da democracia no Continente. "Em segundo lugar, há razões de natureza geopolítica, já que a Venezula é o quinto maior produtor mundial de petróleo", disse ele. "Uma guerra civil na Venezuela e uma eventual guerra aberta contra o Iraque causariam um impacto muito grande sobre as economias mundial e a brasileira." Lula está neste momento no Instituto da Cidadania, onde segundo disse antes de entrar, "vai arrumar as gavetas". Amanhã cedo Lula viaja para Brasília onde deve permanecer até o dia da posse.

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