Ajuda chega ao epicentro do terremoto na China

Tremor de 7,8 graus na escala Richter matou pelo menos 10 mil pessoas; resgate de alunos soterrados continua

Agências Internacionais,

13 de maio de 2008 | 03h36

As equipes de resgate conseguiram chegar ao distrito de Wenchuan, epicentro do terremoto de 7,8 graus de magnitude que sacudiu na segunda-feira a China. A demora aconteceu porque as estradas ficaram destruídas pelo deslizamento de terra. Pelo menos 10 mil pessoas morreram. Veja também:De Pequim, Cláudia Trevisan fala sobre o terremoto Jovens soterrados por terremoto na China 'gritavam por ajuda'Bush oferece ajuda às vítimas de terremoto na ChinaPremiê chinês pede 'calma, confiança, coragem e organização' Fotos do terremoto  Caminho da tocha pode ser mudado após terremoto na ChinaVídeo com imagens do terremoto  Alguns 1.300 tropas de salvamento e socorro chegaram ao distrito, na província de Sichuan, que ficou totalmente isolado pela interrupção das estradas e do sistema telefônico. A ajuda chegou 24 horas após o tremor, sentido inclusive em Pequim, Xangai e Tibete. Os tremores também foram sentidos em regiões vizinhas, como Tailândia, Vietnã e Paquistão. O secretário do Partido Comunista do distrito, Wang Bin, chegou a pedir que fosse feito o lançamento de alimentos, remédios e equipamentos de comunicações via satélite. Segundo ele, a maioria das casas rurais foram derrubadas e as que ainda estão em pé correm o perigo de desabarem em breve. Segundo números divulgados pela agência "Xinhua", pelo menos 15 pessoas perderam a vida em Wenchuan e outras 307 ficaram feridas, 36 de forma grave, embora não tenha sido possível avaliar os números das localidades próximas ao epicentro do terremoto, que contam com uma população conjunta de mais de 24.000 pessoas.O terremoto começou às 14h28, horário local (3h28 no horário de Brasília). Sete minutos depois, um novo tremor de menor intensidade - 3,9 pontos na escala Richter - foi registrado em Pequim. Várias cidades da região centro-leste do país foram atingidas por terremotos. Alunos soterrados Os trabalhos para resgatar centenas de alunos de oito escolas soterrados nos escombros continuam nesta terça-feira na cidade de Dujiangyan. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que é geólogo, viajou a Dujiangyan para acompanhar de perto os trabalhos. Em uma escola de ensino médio, 420 adolescentes ficaram soterrados depois que ela desmoronou completamente. Este colégio está a 100 quilômetros de Wenchuan, epicentro do terremoto. Responsáveis locais afirmaram nesta terça que temem a possibilidade de não encontrar sobreviventes devido à quantidade de escombros de concreto e aço sobre as vítimas. Outras informações cifram em 900 o número de estudantes soterrados entre escombros na escola Juyuan, também pertencente a Dujiangyan e de onde já foram recuperados 60 corpos. Os ministérios de Assuntos Civis e Finanças destinaram US$ 28,6 milhões às operações de resgate, das quais participam as forças armadas e diversas equipes médicas. Mobilização O presidente chinês, Hu Jintao, disse que aliviar as conseqüências do terremoto é a prioridade do governo. O governo chinês já enviou 5 mil soldados e 3 mil policiais à Wenchuan. Espera-se que os esforços de resgate continuem na madrugada. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, viajou a Sichuan para coordenar as operações de resgate e socorro das vítimas. O local possui o mais importante centro de reprodução e pesquisa de pandas da China, a Reserva Natural de Wolong, onde vivem 41 ursos. A província de Sichuan é o habitat natural dos pandas e abriga cerca de 1,5 mil animais em suas florestas.O aeroporto de Chengdu, cidade de 10 milhões de habitantes, foi fechado logo depois do terremoto e a comunicação com telefones celulares se tornou praticamente impossível. A possibilidade de os tremores se repetirem durante a noite manteve várias pessoas nas ruas. Em Pequim, as principais avenidas estavam ocupadas por grupos de pessoas que haviam abandonado os prédios e se reuniam nas calçadas, enquanto carros de bombeiros passavam com as sirenes ligadas.Segundo o jornal oficial China Daily, funcionários de hotéis na cidade orientavam os hóspedes a ficarem fora de seus quartos e muitos deles estavam reunidos nos andares térreos. Depois do terremoto principal, vários outros tremores de menor intensidade foram sentidos na região. Cerca de 8 mil soldados do Exército de Libertação Popular chinês foram enviados para colaborar com os trabalhos de resgate nas regiões atingidas, aonde já chegaram as primeiras ajudas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) nacional em forma de cobertores e tendas de campanha. O oeste do país, região de atrito das placas tectônicas Indiana e Asiática, registra freqüentemente sismos de maior ou menor intensidade, mas em várias ocasiões acontecem em locais pouco povoados ou inabitados. O pior terremoto sofrido pela China nas últimas décadas aconteceu em 1976 na cidade de Tangshan, a 200 quilômetros a sudeste de Pequim, também de 7,8 graus na escala Richter, que matou entre 240 mil e 280 mil pessoas. (Com Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo)

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