Ajuda enviada pela ONU chega a Mianmar

Avião do Programa Mundial de Alimentos chega ao país, que recebe a primeira grande remessa internacional

Efe,

08 de maio de 2008 | 04h33

O Programa Mundial de Alimentação da Organização das Nações Unidas informou que seu primeiro avião carregando itens humanitários a Mianmar chegou à nação asiática nesta quinta-feira, 8, pouco depois de receber autorização formal da junta militar que governa o país. Sob condição de anonimato, uma funcionária da ONU informou que um avião procedente da Itália aterrissou em Mianmar e que outras três aeronaves poderiam fazer o mesmo ainda nesta quinta.   Veja também: Ajuda dos EUA para sobreviventes em Mianmar é incerta Ao menos 80 mil morreram em um só distrito 100 mil podem ter morrido em Mianmar, diz diplomata   Um desses aviões deverá deixar os Emirados Árabes Unidos com 44 toneladas de biscoitos de alto teor energético e outros itens de primeira necessidade. As outras duas aeronaves partirão de Daca, capital de Bangladesh. Os aviões passaram os últimos dias em solo à espera de autorização do governo birmanês para que pudessem entregar a ajuda humanitária aos flagelados no isolado país do sudeste da Ásia.   A mídia estatal birmanesa confirma a morte de 22.980 pessoas. Até o momento, 42.119 pessoas são consideradas desaparecidas. Porém, uma diplomata americana em Mianmar especulou que o número de mortos poderia chegar à casa dos 100 mil.   As Nações Unidas pediram ao governo de Mianmar que autorize a entrada de uma centena de colaboradores que atenderão as vítimas do ciclone Nargis, avaliarão a magnitude dos danos e definirão as necessidades mais urgentes. Um dirigente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Pierrette Vu Thi, disse que 12 destes analistas pertencem a sua entidade. Além disso, a ONU anunciou que o Unicef solicitou US$ 8,2 milhões para atender às crianças atingidas pelo desastre, que segundo números oficiais deixou 22.500 mortos, 41 mil desaparecidos e um milhão de pessoas tenha ficado sem casa.   A ajuda humanitária vai chegando lentamente a Mianmar, um dos países mais isolados do mundo, cenário do pior ciclone na Ásia desde 1991, quando 143 mil pessoas morreram no vizinho Bangladesh. Especialistas dizem que o regime deveria escancarar o país à ajuda internacional, pois só isso poderia trazer alívio a até 1 milhão de desabrigados. Estima-se que o ciclone e as inundações tenham matado até 100 mil pessoas.   Testemunhas dizem que praticamente não existe um esforço humanitário no delta do Irrawaddy, a área mais atingida. "Vamos morrer de fome se não mandarem nada. Precisamos de comida, água, roupas e abrigo", disse à Reuters o pescador Zaw Win, 32 anos, que se esgueirava entre cadáveres flutuantes em busca de um barco para fazer a viagem de duas horas até Bogalay, localidade onde o governo diz terem morrido 10 mil.   Os militares da antiga Birmânia - que governam o país há 46 anos - fizeram um apelo por assistência internacional, mas demoram em emitir vistos para os profissionais humanitários envolvidos na tarefa. O regime birmanês é muito mal visto no exterior, especialmente depois da violenta repressão às manifestações pró-democracia lideradas por monges budistas em setembro passado.   Rejeição aos EUA   Os Estados Unidos continuam esperando a aprovação de Mianmar para começar a enviar ajuda em aviões militares às vítimas do ciclone Nargis, disse na quinta-feira o embaixador norte-americano em Bangcoc, Eric John. "Hoje de manhã, nós e nossos aliados tailandeses achamos que havia uma decisão da liderança birmanesa de permitir a entrada do [cargueiro] C-130. Por enquanto não temos tal decisão", afirmou ele em entrevista coletiva."Não temos permissão ainda para que o C-130 entre, mas enfatizo o 'ainda"', acrescentou.   O comandante-geral das Forças Armadas tailandesas, Boonsrang Niumpradit, dissera anteriormente à Reuters que os militares norte-americanos haviam recebido sinal verde para a missão, e uma fonte da embaixada dos EUA confirmou a informação. Mas a autorização era surpreendente, devido à enorme desconfiança e insatisfação do regime militar birmanês em relação a Washington, que impõe sanções ao país para pressionar por sua democratização.   Comunidade internacional   A primeira-ministra neozelandesa, Helen Clark, anunciou uma ajuda humanitária imediata de US$ 1,1 milhão de dólares aos desabrigados. A doação da Nova Zelândia será distribuída entre as Nações Unidas e ONGs, para que possam ser usadas no país asiático. "Trabalhar com agências das Nações Unidas nos assegura de que a assistência da Nova Zelândia chegará aos que mais necessitam", apontou Clark.   A Rússia enviará 60 toneladas de suprimeitos para as regiões atingidas pelo ciclone, anunciou nesta quinta o Ministério de Situações de Emergência. Os aviões aterrissarão nos dias 9 e 11 na capital birmanesa, Rangun, onde a carga será entregue às autoridades locais, informaram agências russas. A ajuda humanitária inclui barracas de campanha, cobertores, geradores elétricos, remédios, e especialmente material médico, assim como açúcar e alimentos em conserva.   Matéria atualizada às 9 horas.  

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