ICRC via AP
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Ajuda humanitária é enviada a três cidades sírias à beira da fome

Madaya, Fua e Kafraya, todos controladas pelos rebeldes contrários ao presidente Bashar Assad, estavam desde meados de 2015 sem acesso ao provimento externo de bens e mantimentos

O Estado de S. Paulo

11 Janeiro 2016 | 16h44

DAMASCO - O envio de ajuda humanitária aos habitantes das cidades sírias sitiadas de Madaya, Fua e Kafraya, onde milhares de pessoas estão à beira da fome, começou nesta segunda-feira, 11, anunciou o porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Um comboio humanitário de 44 caminhões partiu de Damasco rumo à cidade de Madaya, controlada pelos rebeldes contrários ao presidente Bashar Assad, situada 40 km a oeste, onde cerca de 42 mil pessoas vivem sob o cerco das forças do regime há seis meses.

Pouco antes, 21 caminhões com ajuda humanitária partiram da capital síria para prestar ajuda aos 20 mil habitantes das localidades xiitas de Fua e Kafraya, controladas pelos rebeldes na província de Idleb, no noroeste do país.

Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), 28 pessoas morreram de fome desde 1 de dezembro em Madaya, onde os habitantes descreveram cenas de desespero, com pessoas obrigadas a comer mato ou a pagar preços exorbitantes pela escassa comida que entra na cidade.

Os caminhões enviados pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), pelo CICV e pelo Crescente Vermelho sírio transportam comida, água, leite para bebês, cobertores, medicamentos e material cirúrgico. Será a primeira vez que um comboio humanitário chegará às cidades rebeldes de Madaya, Fua e Kafraya desde 18 de outubro.

A ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) afirmou que a situação é menos dramática em Fua e em Kafraya porque a aviação do regime lançou ali carregamentos com comida. No entanto, os rebeldes não puderam fazer o mesmo em Madaya.

Ajuda urgente. A MSF registrou no domingo outras cinco mortes por inanição, incluindo a de um menino de nove anos. "Os médicos da MSF na cidade sitiada (de Madaya) têm 10 pacientes em estado crítico de inanição que precisam de hospitalização urgente", informou a organização.

"Mais de 200 pacientes desnutridos podem estar em estado crítico e precisar de hospitalização na próxima semana se a ajuda não chegar", acrescentou.

Outras 13 pessoas que tentaram escapar em busca de comida morreram ao pisar nas minas que cercam Madaya ou por disparos de francoatiradores, segundo o OSDH, um grupo com sede na Grã-Bretanha que conta com uma extensa rede de colaboradores na Síria.

A ONU e as organizações humanitárias mostraram em diversas ocasiões sua preocupação pelas zonas sitiadas ou difíceis de acesso no país. Na semana passada, as Nações Unidas afirmaram que apenas 10% da ajuda necessária nestas áreas pôde ser entregue em 2015.

Mais de 260 mil pessoas morreram desde o início do conflito sírio, em março de 2011, quando o governo de Assad reprimiu uma onda de protestos contra o executivo. / AFP e EFE

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