'Ajuste econômico provocaria temor na Venezuela'

Para economista venezuelano, grande desafio de Maduro é fechar acordo com China que implique injeção de reservas nos caixas do país

Entrevista com

Asdrubal Oliveros, diretor da consultoria Ecoanalítica

Luiz Raatz, O Estado de S. Paulo

06 de janeiro de 2015 | 07h00

 É possível que Maduro consiga mais dinheiro da China nessa viagem?

Os acordos da Venezuela com a China consistem numa série de linhas de crédito que expiram em datas diferentes. Quando uma delas vence, é renovada. Agora em fevereiro expira uma linha de crédito de US$ 4 bilhões, que deve ser renovada. Mas o que Maduro quer é conseguir mais dinheiro além dessa renovação já prevista, o que tem lógica, porque com a queda do petróleo nos últimos meses temos um déficit de US$ 20 bilhões

Que impacto um novo acordo com a China teria na economia?

Depende, porque a maior parte do dinheiro emprestado pela china é para a compra de bens chineses, em diferentes áreas, como eletrodomésticos, telecomunicações, maquinário, etc... É bom para a China colocar seus produtos aqui, e por um lado ameniza a questão da escassez de produtos importados. Esses bens ajudam em curto prazo, mas a grande questão é que Maduro precisa de dinheiro em espécie.

O governo tem evitado tomar medidas de ajuste impopulares.  Há uma maneira de não fazer isso e amenizar a crise?

Maduro pode tentar vender ativos da PDVSA, como a Citgo ( refinaria da PDVSA nos EUA), diminuir as importações de alguns produtos e algumas outras manobras. Isso lhe daria mais ou menos uns US$ 10 bilhões. Se o governo quiser driblar o ajuste, conseguirá uma margem de manobra para alguns meses, talvez um ano. O problema é que se os preços do petróleo não se recuperarem fatalmente um ajuste bem mais pesado virá no futuro. 

Ontem, o governo do Equador, que tem uma linha ideológica próxima à Venezuela,  anunciou um corte de gastos de US$ 1,4 bilhão. Por que Maduro hesita em fazer o mesmo?

Aqui, há um grande medo dos ajustes, porque eles são muito custosos. Haverá eleições no fim do ano e isso leva a uma paralisia na tomada de decisões. Temos um presidente com problemas de liderança e com a popularidade caindo muito. É o pior momento do chavismo em termos de popularidade em muitos anos.

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