AL critica nomeação de anticastrista como enviado de Bush

A nomeação de Otto Reich, um conhecido diplomata anticastrista, como enviado especial da Casa Branca para a América Latina provocou mal-estar em círculos políticos da região, assim como no Congresso norte-americano, afirmou hoje o jornal The Miami Herald. O diário disse que a escolha de Otto Reich, que esteve vinculado aos "contras" da Nicarágua e fez lobby em favor de empresas norte-americanas, é vista como um possível empecilho para o fortalecimento do clima de cooperação hemisférica.De acordo com a publicação, dois influentes senadores democratas, Christopher Dodd e John Kerry, estão buscando apoio para se oporem à designação de Reich pelo presidente George W. Bush. Outro congressista, Lee Hamilton, um dos dirigentes do comitê que investigou o escândalo Irã-contras em 1987, afirmou que Reich "limitaria nossa política em relação à América Latina". O jornal observou que Reich tem o apoio do poderoso presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, o republicano Jesse Helms, e também do senador democrata pela Flórida, Bob Graham. O congressista republicano de Miami Lincoln Díaz-Balart disse ao diário que a escolha de Reich é "magnífica" e que este "não se deixará derrotar pelos que querem voltar a lutar nas batalhas dos anos 80". Reich também trabalhou como lobista da empresa Bacardí-Martini e é considerado um dos redatores da Lei Helms-Burton, que endurece o embargo norte-americano contra Cuba. O ex-presidente da Costa Rica e Prêmio Nobel da Paz, Oscar Arias, disse ao jornal de Miami que a nomeação de Reich, "por seus antecedentes e sua marcante posição ideológica, seria um verdadeiro retrocesso" para as relações entre os EUA e a América Latina.A nomeação de Reich, anunciada em março pela Casa Branca não começará a ser debatida no Senado, segundo o Herald, antes de junho.

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