Al-Jazeera, a outra opinião na guerra

Se a Guerra do Golfo, em 1991, foi a oportunidade da CNN de se consolidar como a principal agência de notícias, a guerra no Afeganistão está revelando ao mundo, pela rede Al-Jazeera, do Catar, que uma só versão de um conflito não prevalece por muito tempo. A rede do Catar tem a exclusividade da transmissão dos pronunciamentos de Osama Bin Laden e é a única que conta com correspondentes em Cabul, o que está deixando o governo norte-americano incomodado com as imagens da população afegã sofrendo com os ataques. Apesar disso, Mhamed Krichene, um dos principais jornalistas da rede alerta: "não somos a TV de Osama Bin Laden, como o Ocidente tenta nos caracterizar". Ele conta que, mesmo antes dos atentados terroristas, a curta história da Al-Jazeera, criada em 1996, foi marcada crises diplomáticas constantes entre o Catar e governos árabes que teriam sido criticados pela rede de televisão. "Tivemos problemas com Marrocos, Tunísia, Líbia, Egito, Arábia Saudita e Kuwait. Somos uma emissora que faz barulho e crise, pois falamos de direitos humanos e eleições livres nos países árabes", afirma Krichene, que nasceu na Tunísia. "Já disseram que éramos financiados pela CIA (serviço secreto norte-americano), pelos israelenses, por Saddam Hussein e agora dizem que estamos à serviço de Bin Laden", afirma o jornalista. O slogan da emissora "A opinião e a outra opinião" parece ser levado ao pé da letra pelos seus diretores. Krichene garante que a TV critica também a tortura e a corrupção no Catar, mesmo que a sobrevivência da emissora dependa de um orçamenrto de US$ 40 milhões dado pelo emir do Catar. O jornalista afirma ainda que após todas as transmissões de mensagens de Bin Laden, a TV convidou especialistas para comentar as declarações, inclusive ex-diplomatas norte-americanos. O jornalista conta que a emissora está, agora, tentando convencer o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a dar uma entrevista para a TV. Sobre os pronunciamentos de Bin Laden, Krichene conta que as fitas são entregues pelo Taliban ao correspondente da TV em Cabul. "Temos um escritório em Cabul há dois anos e a CNN também tinha o seu, mas eles fecharam pois não consideraram que valeria à pena. Nós mantivemos o nosso escritório e hoje estamos recompensados", completa o jornalista que não garante que a tradução das mensagens feita pelas emissoras ocidentais sejam exatas.

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