Al-Maliki acusa países vizinhos de se intrometerem no Iraque

Al-Maliki acusa países vizinhos de se intrometerem no Iraque

Premiê não especificou a quais nações a mensagem era direcionada

Agência Estado

12 de abril de 2010 | 16h23

BAGDÁ - O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, acusou os países vizinhos nesta segunda-feira, 12, de se intrometerem nos assuntos internos iraquianos e de tentarem influenciar a formação do governo. "Nossa mensagem é clara: não interfiram em nossos assuntos", disse al-Maliki. A declaração ocorreu durante uma reunião do comitê do governo em que estava irritado por ouvir representantes de países vizinhos falarem na televisão como se fosse "guardiães" do Iraque.

Al-Maliki não disse quais países estariam tomando esse tipo de atitude, mas o embaixador do Irã em Bagdá, no Iraque, afirmou, anteontem, que todos os blocos políticos, dentre eles os sunitas, devem participar do novo governo iraquiano. O Irã tem promovido o poder xiita desde a queda de Saddam Hussein, mas esta medida impulsionou Iyad Allawi, cujo partido venceu as eleições de 7 de março com o forte apoio dos sunitas.

Al-Maliki se recusou a aceitar os resultados da eleição - que deixou seu partido em segundo lugar. No domingo, seu partido afirmou que sua investigação sobre a eleição colocou em questão 750 mil votos, número suficiente para mudar os resultados.

Tribunais iraquianos já deram a al-Maliki uma vitória ao apoiar seu argumento de que qualquer líder partidário capaz de reunir uma coalizão parlamentar grande o suficiente deveria ser escolhido para formar um novo governo, em vez da coalizão que conquistou a maioria dos assentos.

A eleição deixou a coalizão Estado de Direito de al-Maliki atrás do grupo do ex-primeiro-ministro Allawi, a aliança Iraqiya, por dois assentos no Parlamento de 325 integrantes. Nenhum dos dois conseguiu cadeiras suficientes para governar sozinho, deixando como única alternativa a junção com a coalizão governante.

Al-Maliki lidera há quatro anos um governo dominado por xiitas religiosos, enquanto Allawi, um xiita secular, conquistou seu apoio da minoria sunita do país numa campanha na qual prometeu transcender as divisões étnicas e sectárias. As informações são da Associated Press.

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