Al-Maliki diz que Iraque está na linha de frente da luta contra o terror

O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, discursou nesta quarta-feira no Congresso dos Estados Unidos para lembrar que a determinação do Iraque contra o terrorismo é "inabalável" e que o país está na linha de frente na guerra global contra o terror."Sei que alguns de vocês questionam se o Iraque faz parte da guerra contra o terror", disse o ministro em uma sessão conjunta do Congresso. "Deixe-me ser bem claro: esta é uma batalha entre o verdadeiro Islã, aquele que prega a liberdade, contra o terrorismo, que se disfarça em uma falsa imagem dos islamismo".Apesar da retórica contra o terrorismo no Oriente Médio, al-Maliki não citou o conflito de Israel com o Hezbollah. Os democratas haviam ameaçado boicotar os discurso do premier em protesto contra a posição contrária a Israel adotada pelo Iraque na atual crise do Oriente Médio, e por suas recentes condenações à ofensiva israelense no Líbano. Ao fim, muitos deles compareceram à reunião, terminando por aplaudir o primeiro-ministro.A administração Bush e Israel insistem que o Hezbollah, considerado por eles um grupo terrorista, deve ser desarmado e derrotado no sul do Líbano. Países europeus e árabes querem um cessar-fogo para encerrar as mortes de civis na região.Redistribuição de tropasO primeiro-ministro também não citou o acordo assinado nesta terça-feira com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para redistribuir as tropas americanas postadas no Iraque e reforçar sua presença na capital.Al-Maliki teve seu pronunciamento interrompido por uma mulher, que estava na parte do salão destinada ao público. "Os iraquianos querem que as tropas (dos EUA) sejam levadas!", gritou ela. A jovem, que usava uma camiseta com a frase "Que as tropas voltem para casa", foi imediatamente retirada pela segurança da Câmara.O premier prosseguiu o discurso, deixando claro que o Iraque continua precisando da ajuda dos EUA e da comunidade internacional, e pediu auxílio para "reconstruir" o país.Cerca de 127 mil soldados americanos estão no Iraque atualmente, mas o governo Bush está sob grande pressão, de democratas e republicanos, para trazer um número substancial de soldados de volta para casa até o fim do ano. Desde a invasão de março de 2003, 2.569 soldados americanosmorreram e cerca de 20 mil ficaram feridos no Iraque, acrescentou Durbin.No entanto, o Congresso dos EUA também começa a ficar seriamente preocupado com o custo da guerra que, segundo informou hoje o senador democrata Richard Durbin, já se aproxima da marca de US$ 300 bilhões.Em entrevista coletiva posterior ao discurso, senadores democratas criticaram a situação positiva descrita pelo primeiro-ministro, e questionaram sua determinação em enfrentar a realidade do Iraque.Os democratas criticaram também o fato de o dirigente iraquiano não ter aproveitado a oportunidade para afirmar publicamente que o Hezbollah.Ainda na quarta-feira, Bush e al-Maliki voltaram a se encontrar e em um almoço em honra às tropas americanas, realizado na base do Exército de Fort Belvoir, nas proximidades de Washington. Depois do almoço al-Maliki se dirigiu aos soldados e disse que os iraquianos nunca esquecerão o sacrifício que os americanos fizeram e que ele está feliz em ser parceiro dos Estados Unidos "na sagrada tarefa de lutar contra o terrorismo e restabelecer a democracia".

Agencia Estado,

26 de julho de 2006 | 19h51

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