Al-Qaeda admite morte de número 2 da organização

Abu Yahya al-Libi, responsável por propaganda do grupo islâmico, foi morto em ataque no Paquistão

ISLAMABAD, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2012 | 03h05

O líder da rede terrorista Al-Qaeda, o egípcio Ayman al-Zawahiri, divulgou na noite de segunda-feira, véspera do aniversário dos atentados de 11 de Setembro, um vídeo no qual confirma a morte do número dois do grupo, Abu Yahya al-Libi. O radical islâmico morreu em um ataque de um avião não tripulado americano a uma zona tribal no noroeste do Paquistão.

O vídeo de 42 minutos é a primeira aparição de Zawahiri em três meses. O egípcio assumiu a liderança da Al-Qaeda após a morte do idealizador do 11 de Setembro, Osama bin Laden, em maio do ano passado.

Libi era considerado o encarregado das operações de propaganda da Al-Qaeda. Segundo o governo americano, sua morte é o golpe mais duro à rede terrorista desde a ação que matou Bin Laden.

"Tenho o orgulho de anunciar seu martírio", disse Zawahiri. "Esperamos que Deus tenha piedade dele e seus escritos sejam cada vez mais seguidos." O vídeo foi divulgado em fóruns jihadistas na internet na noite de segunda-feira e rastreado por serviços americanos.

Segundo fontes de inteligência, as imagens foram gravadas após o fim do Ramadã, no meio de agosto, mas divulgadas agora para coincidir com o aniversário do atentado.

Ameaças. Apesar de não se referir aos ataques às torres gêmeas e ao Pentágono diretamente, Zawahiri criticou o presidente dos EUA, Barack Obama. "Esse mentiroso está tentando enganar os americanos, fazendo-os acreditar que derrotará a Al-Qaeda com a morte dessa ou daquela pessoa", declarou. "Mas ele foge do fato de ter sido derrotado no Iraque e no Afeganistão."

Documentos recentes divulgados pela imprensa americana, entre os quais cartas escritas por Bin Laden e apreendidas na operação que o matou, indicam que Libi tinha a confiança do chefe da rede para espalhar a mensagem da Al-Qaeda entre o público jovem árabe.

Clérigo nascido na Líbia, Libi fugiu de uma prisão de segurança máxima americana no Afeganistão, em 2005. Ele foi dado como morto erroneamente pelo governo americano em outras ocasiões. No vídeo, Zawahiri fez ainda um apelo para vingar a morte do "Leão da Líbia".

"O sangue dele exige que vocês lutem e matem os cruzados", disse, em referência aos ocidentais que combatem o Taleban no Afeganistão. Obama cumpriu a promessa de campanha de retirar as tropas do Iraque e pretende sair do Afeganistão até 2014. / REUTERS

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