Al-Qaeda ameaça arrastar corpos de soldados dos EUA pelas ruas

A primeira notícia de baixas entre a alta hierarquia da rede Al-Qaeda, de Osama bin Laden, foi divulgada hoje por um grupo islâmico baseado em Londres. O mesmo grupo também emitiu um comunicado do comandante militar de Bin Laden advertindo que as tropas dos Estados Unidos irão enfrentar no Afeganistão o mesmo destino que tiveram na Somália, onde corpos de soldados assassinados foram arrastados pelas ruas. O Centro de Observação Islâmica afirmou num comunicado enviado por e-mail à Associated Press que um militante egípcio, identificado por seu nome de guerra, Abu Baseer al-Masri, foi morto por uma bomba no domingo nas proximidades de Jalalabad, no leste do Afeganistão. Dois de seus companheiros, um muçulmano chinês e um iemenita, ficaram feridos. Não foram oferecidos detalhes. Num comunicado em separado, o centro enviou por e-mail uma ameaça de Mohammed Atef, o comandante militar e número 3 na hierarquia da Al-Qaeda. Yasser al-Sirri, o porta-voz do centro disse que Atef fez seu breve comunicado no Afeganistão. Ele recusou-se a explicar como o comunicado chegou ao centro. Al-Sirri é um dissidente egípcio que teria contatos com supostos militantes islâmicos de todo o mundo. O centro atua como relações públicas informal de grupos fundamentalistas islâmicos. Ele tem divulgado notícias da guerra no Afeganistão desde que os ataques anglo-americanos tiveram início em 7 de outubro. "A América não irá perceber seu erro de cálculo até que seus soldados sejam arrastados no Afeganistão, como foram na Somália", teria dito Atef, um egípcio. Em outubro de 1993, guerrilhas supostamente treinadas por Bin Laden abateram dois helicópteros dos EUA em Mogadíscio, Somália, matando 18 soldados que tentavam capturar um senhor da guerra somali. Uma multidão delirante arrastou os corpos de alguns soldados pelas ruas da cidade. O incidente levou os Estados Unidos a abandonar a operação de paz da ONU na Somália. O comunicado de Atef foi o primeiro desde o início dos ataques anglo-americanos no Afeganistão. A Al-Qaeda já divulgou três videotaipes com ameaças de novos ataques aos Estados Unidos. Em um deles Bin Laden apareceu e, nos outros dois, apenas seu porta-voz, Sulaiman Abu al-Ghaith. Segundo evidências divulgadas pelo governo britânico, Atef viajou várias vezes para a Somália em 1992 e 1993 para organizar ataques contra tropas de paz da ONU e dos EUA. Todas as vezes ele se reportou a Bin Laden, que estava baseado na época em Cartum, Sudão. Outros relatórios de inteligência sugerem que ele supervisionou o assassinato dos soldados americanos em Mogadíscio e o desfile de seus corpos pelas ruas. No comunicado de hoje, Atef zombou da capacidade da inteligência dos EUA. Ele disse que os seqüestros dos aviões em 11 de setembro e o subseqüente uso deles para atacar o World Trade Center e o Pentágono eram uma prova da sua incompetência. "Apesar da propaganda americana, que diz que sua vigilância pode perceber um pássaro em vôo, um dos aviões seqüestrados pousou no escritório do Ministro da Defesa", afirmou Atef, cuja filha é casada com o filho de Bin Laden. Leia o especial

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