Al-Qaeda ameaça atacar Europa após dia 15

Militantes muçulmanos vinculados à rede terrorista Al-Qaeda ameaçam desfechar novos ataques ao fim da "trégua" de três meses oferecida por Osama bin Laden, que expira no dia 15, se os países europeus não retirarem suas tropas do Iraque, Afeganistão e Arábia Saudita, de acordo com jornais em árabe publicados ontem em Londres. Os ativistas aconselharam também os muçulmanos que vivem na Europa a deixar o continente. "Ao povo europeu ... Vocês têm apenas poucos dias para aceitar a trégua de Bin Laden, ou vocês mesmos serão culpados (pelo que ocorrer)", diz a nota atribuída às Brigadas Abu Hafs al-Masri, grupo que assumiu a responsabilidade pelos ataques de 11 de março em Madri, que deixaram 191 mortos. Numa gravação divulgada em 15 de abril, Bin Laden ofereceu uma trégua aos europeus para que eles retirassem suas tropas de países islâmicos e prometeu não fazer atentados no continente durante três meses. Reunidos na 23.ª reunião de cúpula franco-italiana, em Paris, os presidentes da França e Itália, Jacques Chirac e Silvio Berlusconi, disseram levar a sério a ameaça terrorista, mas acrescentaram que não planejam elevar os níveis de alerta em seus países. "Já temos um nível de segurança muito elevado na França", disse Chirac. "Estamos fazendo o máximo possível nessa área." ?Não é sério?Ao mesmo tempo, funcionários da Grã-Bretanha e Alemanha afirmaram que a ameaça não era séria. Um porta-voz do Ministério de Interior alemão lembrou que as Brigadas Abu Hafs al-Masri se declararam responsáveis pelo blecaute do ano passado em Nova York - aparentemente causado por uma pane nas linhas de transmissão de energia. "O governo alemão não se dobra a nenhum ultimato lançado por criminosos como Bin Laden", disse o funcionário alemão. Os jornais Asharq al-Awsat e Al-Hayat informaram ter recebido uma carta com a ameaça na quinta-feira, mas não deram detalhes de como a carta chegou. "Os muçulmanos que vivem no Ocidente e podem partir para Estados muçulmanos devem fazê-lo", prossegue a mensagem. "Os que não puderem, devem tomar precauções e viver em áreas muçulmanas, reservar comida e dinheiro para um mês ou mais, encontrar formas de proteger a si e a suas famílias, rezar muito e pôr sua fé nas mãos de Deus." A nota diz ainda que os ataques vão continuar até que os Estados Unidos libertem seus prisioneiros muçulmanos e "todas as terras muçulmanas, incluindo Jerusalém e a Caxemira, estejam limpas da mancha dos judeus, americanos e hindus". Vários países europeus rejeitaram a oferta de trégua de Bin Laden. A CIA informou que a voz na gravação provavelmente era mesmo de Bin Laden. As Brigadas Abu Hafs al-Masri têm esse nome em homenagem a Mohammed Atef, conhecido como Abu Hafs, um assessor de Bin Laden morto em 2001 no Afeganistão. O grupo disse que as pessoas envolvidas no "diálogo das civilizações" têm pouco tempo para convencer a Europa a aceitar a trégua. "A corrida agora é entre vocês, o tempo e os governos europeus que se recusaram a parar seus ataques contra muçulmanos." Nos EUA, que amanhã festejam seu aniversário de independência, as autoridades federais intensificaram a vigilância no fim de semana. Embora ressalvando que não há uma ameaça específica, o FBI enviou ontem um comunicado às agências de segurança de todo o país pedindo atenção redobrada nas patrulhas.

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