Al Qaeda ameaça trabalhadores chineses expatriados, diz jornal

Objetivo seria vingar uigures mortos nos conflitos de Urumqi; China diz que os defenderá a qualquer custo

14 de julho de 2009 | 14h37

 O braço Magreb da Al Qaeda, cuja base fica na Argélia, ameaçou atacar trabalhadores chineses presentes no norte da África para vingar as vítimas da minoria muçulmana uigur que morreram durante a violência étnica da semana passada em Xinjiang, noroeste da China, informou nesta terça-feira, 14, um jornal de Hong Kong. Pequim reagiu à ameaça afirmando que tomaria todas as medidas necessárias para proteger os chineses no exterior.

 

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Segundo o jornal, o objetivo da Al Qaeda seria vingar as vítimas muçulmanas que morreram durante os conflitos em Urumqi, no noroeste da China, onde dois uigures foram mortos na segunda-feira a tiros pela polícia.

 

A agência de notícias Nova China informou nesta terça que três uigures entraram em uma mesquita de Urumqi na segunda incitando cerca de 150 fiéis muçulmanos à jihad, a guerra santa. Quando foram expulsos da mesquita, dois deles sacaram facas e passaram a perseguir os guardas do templo, chegando a ferir um deles. Os uigures então foram detectados pela polícia chinesa, que abriu fogo contra eles, deixando dois mortos e o terceiro ferido, conforme informou a agência.

 

O governo chinês anunciou nesta terça-feira que tomará todas as medidas necessárias para proteger seus trabalhadores em outros países, respondendo assim às ameaças da organização terrorista. "O governo chinês se opõe a qualquer forma de terrorismo", anunciou a jornalistas em uma coletiva de imprensa o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Qin Gang, segundo informou a agência de notícias AFP. 

 

"Estaremos em alerta aos acontecimentos e trabalharemos com outros países para tomar todas as medidas necessárias para garantir a segurança das instituições e trabalhadores chineses em outros países", acrescentou o porta-voz da chancelaria chinesa.

 

Qin também pediu aos países muçulmanos que entendam a natureza do ato ocorrido na segunda-feira, o qual chamou de "sabotagem da unidade étnica" da China.

 

As violências étnicas entre os hans, maioria étnica na china, e os uigures, principal minoria de Xinjiang, desde 5 de julho em Urumqi, deixaram pelo menos 184 mortos e cerca de 1.600 feridos, segundo um balanço das autoridades da região.

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