Al-Qaeda assume atentado que matou 23 em embaixada do Irã no Líbano

Militantes pedem saída do Hezbollah da Síria e libertação de radicais presos em Beirute

O Estado de S. Paulo,

19 de novembro de 2013 | 10h38

(Atualizada às 16h45) BEIRUTE - Um duplo atentado terrorista matou ao menos 23 pessoas e feriu outras 164 ontem na Embaixada do Irã em Beirute. . O grupo militante sunita sírio Brigadas Abdullah Azzam, ligado à Al-Qaeda, assumiu a responsabilidade pelo ataque, que considerou uma represália à participação do Hezbollah e do Irã no apoio a tropas do regime de Bashar Assad que combatem rebeldes sunitas na Síria.

O adido cultural do país persa no Líbano, Ebrahim Ansari, que foi dado como morto ao longo do dia, ficou gravemente ferido no ataque e passava na noite de ontem por uma cirurgia, segundo a imprensa estatal iraniana.

"Essa foi uma dupla operação de martírio realizada por dois heróis integrantes dos sunitas heroicos do Líbano", declarou Sirajeddin Zreikat, líder das Brigadas Abdullah Azzam, em sua conta no Twitter.

"Se Deus quiser, as operações no Líbano vão continuar até que duas exigências sejam atendidas. A primeira é que o partido do Irã (o Hezbollah, que é apoiado por Teerã) saia da Síria. A segunda é a libertação de nossos prisioneiros no Líbano."

Imagens de câmeras de segurança mostraram um homem com um cinto cheio de explosivo correndo contra o muro da representação diplomática antes de se explodir. Segundo a polícia libanesa, um carro estacionado perto do prédio também explodiu.

Segundo fontes de segurança libanesas, o carro continha 50 quilos de explosivos. Seis andares foram destruídos pelas bombas. Imagens gravadas por uma TV local mostraram civis com o corpo em chamas e os próprios vizinhos tentando apagar o fogo. Vários veículos foram incendiados pela explosão, que causou grandes danos nos edifícios próximos. No bairro de classe média também está uma das sedes do grupo xiita libanês.

O ataque é o último de uma série de retaliações de militantes sunitas contra a participação do Hezbollah no confronto sírio. "Esse ataque é resultado das sucessivas derrotas dos rebeldes sírios", disse o dirigente do grupo radical xiita, Mahmoud Komati.

Acusações. O atentado ocorreu na véspera de uma nova reunião entre as principais potências nucleares e o Irã sobre o controvertido programa nuclear do país persa. O ataque também coincidiu com uma ofensiva militar de Assad contra forças rebeldes a semanas de uma conferência de paz entre os dois lados da guerra civil síria.

O governo xiita do Irã, que tem em Assad um de seus principais aliados regionais, tem dado suporte ao combate aos rebeldes. O Hezbollah, grupo xiita libanês com laços com Teerã, também participa do confronto.

A chancelaria iraniana responsabilizou o governo de Israel pelo ataque. " Esse ato de violência inumano e vil foi perpetrado por Israel e seus agentes do terror", disse um porta-voz, citado pela agência estatal Irna.

O deputado israelense Tzachi Hanegbi negou a participação de Israel no episódio. "O banho de sangue em Beirute é resultado do envolvimento do Hezbollah na crise síria", declarou. "Israel não se envolveu nisso."

"Quem quer que perpetre esse ataque, em circunstâncias tão sensíveis, não importa de qual facção seja, serve os interesses da Entidade Sionista (Israel)", afirmou o embaixador iraniano no Líbano.

Os governos da Grã-bretanha e da França condenaram o ataque, descrito pelo chanceler britânico William Hague como um "chocante". Por meio de nota, o governo sírio sugeriu que as monarquias do golfo que apoiam os radicais sunitas estão por trás do ataque. / REUTERS, EFE, AP e NYT

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