Al-Qaeda avança sobre maior província do Iêmen e toma terminal petrolífero

A Al-Qaeda da Península Arábica tomou o controle de um importante aeroporto, de um porto e de um terminal de petróleo no sul do Iêmen nesta quinta-feira, consolidando seu controle na maior província do país, Hadramout. O avanço ocorre em meio ao caos criado em razão dos confrontos entre rebeldes xiitas do grupo Houthi e as forças leais ao presidente Abed Rabbo Mansour Hadi, exilado em Riad, e também de uma campanha de ataques aéreos liderada pela Arábia Saudita.

Estadão Conteúdo

16 de abril de 2015 | 20h57

Militares e moradores disseram que os combatentes da Al-Qaeda tiveram um breve confronto com membros de uma das principais brigadas do Iêmen nas proximidades de Mukalla, uma cidade tomada pelos militantes no início do mês, onde eles mantêm seus prisioneiros. Os militantes tomaram o controle do aeroporto Riyan e avançaram para assegurar o controle do principal porto do país, que também é um terminal petrolífero.Membros das forças de segurança, falando de Sanaa e pedindo anonimato, disseram que os líderes da brigada encarregados de proteger toda a área fugiram.

O mais recente avanço marca um importante passo para a Al-Qaeda na Península Arábica, como é conhecido o braço do grupo terrorista no Iêmen. Essa organização está ligada a vários atentados fracassados nos EUA e é vista como o braço mais perigoso da rede global extremista. O grupo reivindicou a responsabilidade pelo ataque contra o semanário satírico francês Charlie Hebdo no início do ano.

A Al-Qaeda na Península Arábica explora o caos no Iêmen, onde rebeldes xiitas houthis, juntamente a unidades militares leais ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh, capturaram a capital em setembro e têm avançado, apesar da campanha aérea saudita. Os rebeldes se opõem à Al-Qaeda, mas atualmente estão envolvidos em confrontos com as forças leais ao governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, do presidente Hadi, que fugiu para a Arábia Saudita no mês passado.

A cidade de Mukalla é a capital da Província de Hadramout, onde a Al-Qaeda mantém forte presença, apesar dos bombardeios lançados por aviões não tripulados (drones) dos EUA e de operações iemenitas. Um ativista na cidade, Nasser Baqazouz, disse que as tropas que guardavam o aeroporto resistiram pouco ao ataque. "Eles estão consolidando seu domínio da cidade e paralisarão toda a costa de Hadramout", afirmou.

A coalizão liderada pelos sauditas tem feito ações aéreas contra os houthis e seus aliados desde o dia 26, mas não realizou nenhum ataque sobre Mukalla ou outras áreas controladas pela Al-Qaeda. O Irã apoia os houthis, mas nega que esteja armando os rebeldes xiitas.

Grupos de ajuda humanitária lutam para tentar atender às necessidades da população, que sofre com a dificuldade de se conseguir alimentos e água, além de combustível. As Nações Unidas afirmaram que pelo menos 364 civis morreram desde o início dos ataques aéreos, no dia 26, incluindo ao menos 84 crianças e 25 mulheres. Além disso, centenas de combatentes também morreram. / ASSOCIATED PRESS

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