Al-Qaeda divulga vídeo em que Bin Laden elogia rebeldes

A rede terrorista Al-Qaeda transmitiu ontem uma mensagem póstuma de seu líder morto, Osama bin Laden, na qual ele elogia as revoluções no Egito e na Tunísia. Na declaração, Bin Laden pede que os muçulmanos aproveitem a "rara oportunidade histórica" para levarem adiante a insurgência. A informação foi divulgada hoje pelo grupo de inteligência dos Estados Unidos que monitora mensagens de extremistas na internet (Site, na sigla em inglês).

GABRIEL BUENO, Agência Estado

19 de maio de 2011 | 09h38

A mensagem de áudio foi divulgada em fóruns frequentados por militantes e simpatizantes pelo braço da Al-Qaeda que cuida da mídia, segundo o Site. O comunicado se dirige a muçulmanos envolvidos em revoluções no Oriente Médio e no norte da África. Na mensagem póstuma, Bin Laden sugere o estabelecimento de um conselho para oferecer recomendações e decidir um cronograma para se disseminar as revoltas pelo mundo muçulmano.

"Eu penso que os ventos de mudança irão soprar sobre todo o mundo islâmico, com a permissão de Alá," diz Bin Laden, segundo a tradução do Site, na mensagem de 12 minutos e 37 segundos. O líder extremista pediu aos jovens muçulmanos que "preparem o que é necessário" para disseminar essas revoluções, "consultando os especialistas sinceros que se afastam de compromissos e da bajulação aos opressores".

Em nota, o grupo Site afirmou que um comunicado anterior da Al-Qaeda indicava que a mensagem de áudio havia sido gravada uma semana antes de Bin Laden ser morto por tropas especiais norte-americanas, em uma operação em território paquistanês em 2 de maio.

A Al-Qaeda, que defende há tempos o uso da violência como única maneira possível de depor regimes, foi pega de surpresa pelos levantes da chamada "primavera árabe". A série de protestos foi detonada pela preocupação popular com inflação, desemprego e com pedidos de reforma política, e não capitaneada por doutrinas extremistas. Porém, agentes ocidentais haviam advertido que a Al-Qaeda tentaria explorar a onda de descontentamento no norte da África e no Oriente Médio.

Na mensagem, Bin Laden se refere às revoluções no Egito e na Tunísia, mas não cita os casos de Líbia, Síria e Iêmen. Nesses dois primeiros países, os levantes culminaram com a queda de presidentes. "Esta é uma séria encruzilhada diante de vocês, e uma oportunidade histórica grande e rara para a Ummah (comunidade muçulmana) se libertar da servidão dos desejos dos governantes, das leis feitas pelo homem e do domínio ocidental", afirmou Bin Laden. A mensagem foi publicada como um vídeo, mas é um áudio acompanhado de uma foto do líder extremista.

"É um grande pecado e uma imensa ignorância perder esta oportunidade que era aguardada pela Ummah há décadas. Portanto, aproveitem isso e destruam os ídolos, estabeleçam a justiça e a fé", recomendou. Bin Laden acusava governantes da região de se comportarem como ídolos, usando a mídia e instituições religiosas para garantir seu poder. "Então, o que vocês estão esperando? Salvem-se e a suas crianças, porque a oportunidade está aqui."

Bin Laden concluiu sua mensagem pedindo a seus seguidores que concluam o trabalho iniciado por ele, dizendo que a vitória virá. "A enorme opressão em nossos países chegou a grandes limites, e nós esperamos muito tempo para condenar e mudar isso", afirmou. "Portanto, quem começou (a mudança) deve encerrá-la e Alá lhe concederá a vitória."

Bin Laden foi morto por uma força especial dos EUA na cidade de Abbottabad, perto da capital paquistanesa, Islamabad. O corpo do terrorista, apontado como o mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001, foi lançado ao mar. As informações são da Dow Jones.

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