Al-Qaeda do Magreb assume atentado na Argélia

Em telefonema para a rede de TV catariana Al-Jazira, um suposto porta-voz do grupo terrorista que se intitula Al-Qaeda do Magreb Islâmico assumiu a responsabilidade pelos ataques que atingiram a capital da Argélia, Argel, nesta quarta-feira, 11. A reivindicação, que não pôde ser confirmada de maneira independente, trouxe a preocupação de que a Argélia esteja voltando para o cenário de violência político-religiosa que castigou o país na década de 1990.Segundo fontes do governo citadas pela agência de notícias estatal, as explosões simultâneas que atingiram o escritório do primeiro-ministro argelino e uma delegacia de polícia mataram ao menos 30 pessoas, deixando outras mais de 150 feridas. O premier saiu ileso do ataque. As explosões marcam um devastador retrocesso para os esforços desta nação do Norte da África, rica em petróleo e gás natural, em encerrar um capítulo violento de sua história. Em anos de insurgência islâmica, que pareciam ter chegado ao fim, cerca de 200 mil pessoas foram mortas em ataques no país.Associado à rede de Osama bin Laden e nascida a partir de uma antiga organização insurgente argelina, a Al-Qaeda do Magreb Islâmico também teria sido responsável pela preparação de quatro terroristas mortos na terça-feira no vizinho Marrocos. Com o anúncio, cresce a preocupação de que os grupos estejam utilizando o Norte da África para preparar terroristas em uma possível plataforma de lançamento para novos ataques contra a Europa.O suposto porta-voz do grupo identificou-se como Abu Mohammed Salah, e disse que os ataques foram realizados por três membros da Al-Qaeda do Magreb Islâmico que dirigiam "caminhões repletos" de explosivos. "Nós não descansaremos até que cada polegada da terra islâmica seja libertada das forças estrangeiras", disse ele, segund a Al-Jazira. Salah também pediu a libertação dos "prisioneiros oprimidos na Argélia, Marrocos e Mauritânia".DevastaçãoUma das explosões desta quarta-feira atingiu o escritório do primeiro-ministro Abdelaziz Belkhadem, no centro da capital. Já a segunda bomba devastou uma delegacia em Bab Ezzouar, na periferia leste da cidade.Belkhadem, que segundo a Associated Press não estava no prédio no momento da explosão, qualificou o ataque como um "ato criminoso e covarde". Segundo fontes da polícia, as explosões foram ataques suicidas.Dezenas de ambulâncias convergiram para o sofisticado bairro no centro de Argel, enquanto milhares de pessoas saíam às ruas e os sobreviventes eram retirados do prédio do governo. O Ministério do Interior também fica no edifício.A explosão abriu um enorme buraco no edifício de seis andares, estilhaçando vidraças e espalhando destroços sobre os carros em um raio de vários quarteirões. "Primeiro achei que era um terremoto", disse o advogado Tahar bin Taleb. "Minha mulher me ligou momentos depois chorando e gritando. Corri para casa e encontrei todos os espelhos e janelas estilhaçados."Fayza Kebdi, uma advogada que trabalha em um escritório na frente do prédio do governo, disse que a explosão destruiu suas janelas e arremessou seu marido através da sala. "Nós achávamos que os anos de terrorismo tinham terminado", disse ela. "Achávamos que tudo tinha voltado ao normal. Mas agora, o medo está de volta."Anos de violênciaA violência religiosa na Argélia começou em 1992, quando o Exército cancelou eleições prestes a serem ganhas por um partido islâmico. Anos de esforços do governo pareciam ter empurrado as organizações insurgentes, entre elas o violento Grupo Salafista para a Pregação e o Combate (GSPC), para o interior do país.Mas, desde que mudou seu nome para Al-Qaeda do Magreb Islâmico, o grupo terrorista tem protagonizado uma crescente onda de ataques no interior do país. Esta é a primeira vez em anos, no entanto, que a violência atinge a capital, e, em especial, o centro do poder argelino. Os ataques desta quarta-feira acontecem apenas um dia depois de três terroristas terem se suicidado no Marrocos após se verem cercados pela polícia. Um quarto homem foi baleado e morto pelos policiais enquanto aparentemente se preparava para detonar um cinto de explosivos. Embora não haja relação evidente entre os dois episódios, os eventos ilustram como as nações do Norte da África sofrerão para conter o extremismo islâmico na região. Especialistas e funcionários de agências de inteligência ocidentais estão preocupados com a possibilidade de os militantes estenderem os ataques para a Europa.Texto ampliado às 14h27

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.