Al Qaeda é suspeita por atentado ao Marriott no Paquistão

Autoridades de inteligência acreditam que explosão tem características do grupo terrorista islâmico

Reuters,

21 de setembro de 2008 | 11h28

O atentado suicida que matou no sábado 53 pessoas no hotel Marriott em Islamabad, capital do Paquistão, tem as características de ser uma operação da Al Qaeda ou um grupo associado, disseram autoridades de inteligência paquistanesas e norte-americanas. "A sofisticação da explosão demonstra que é obra da Al Qaeda", disse à Reuters um funcionário da inteligência paquistanesa. As equipes que vasculham os destroços queimados encontraram mais corpos carbonizados no hotel, que integra uma rede com sede nos Estados Unidos e é um dos refúgios favoritos de paquistaneses ricos e diplomatas. Quatro estrangeiros foram mortos, incluindo o embaixador da República Checa no país, Ivo Szdarek, um vietnamita e dois americanos. Ficaram feridas 266 pessoas, entre as quais 11 estrangeiros, disse o Ministério do Interior. Um diplomata dinamarquês está desaparecido, informou o Ministério de Relações Exteriores da Dinamarca. A segurança interna no Paquistão, país que detém armas nucleares e é vital na guerra contra a Al Qaeda e outros grupos extremistas islâmicos, deteriorou-se de modo alarmante nos últimos dois anos. O Exército do Paquistão está em meio a uma ofensiva contra combatentes da Al Qaeda e do Taleban na região de Bajaur, fronteira com o Afeganistão, ao mesmo tempo em que os EUA têm intensificado os ataques aos militantes no lado paquistanês da fronteira. Em retaliação, os militantes desfecham ataques com bombas, na maioria contra as forças de segurança no noroeste do Paquistão. "Eles estão enviando uma mensagem muito clara, sem ambigüidade, de que, se o governo prosseguir com essas políticas, isso é o que farão em resposta", avaliou Talat Masood, um analista e general reformado. Um vídeo divulgado pela Al Qaeda para marcar o sétimo aniversário dos atentados de 11 de setembro nos EUA incluiu um chamado a todos os militantes no Paquistão para que intensifiquem a luta. "Eles querem desestabilizar o país e a democracia, destruir o país economicamente", disse aos repórteres neste domingo, 21, o primeiro-ministro paquistanês, Yousaf Raza Gilani. O governo civil de Gilani tomou posse seis meses atrás - depois de o país ser dirigido por nove anos pelo ex-chefe do Exército, Pervez Musharraf, um forte aliado dos EUA - e enfrenta atualmente uma economia à beira do colapso. O ataque contra o hotel Marriott, em Islamabad, ocorreu horas depois de o novo presidente do país, Asif Ali Zardari, viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada no ano passado, ter feito seu primeiro discurso ao Parlamento, localizado a poucas centenas de metros do hotel, e prometido extirpar o terrorismo do país. Neste domingo, Zardari qualificou o atentado de covarde. "Isto é uma epidemia, um câncer que nós vamos eliminar do Paquistão. Não teremos medo desses covardes" , disse em um discurso na TV.

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