Al-Qaeda enfraquece sem mentor do 11/9, dizem especialistas

Especialistas afirmam que a Al-Qaeda ainda não se recuperou da captura de Khalid Sheikh Mohammed, suposto mentor dos ataques de 11/9, capturado há quatro anos. Em Guantánamo, ele confessou durante interrogatório divulgado na quarta-feira, 14, ter decapitado o jornalista Daniel Pearl. Agentes de inteligência aposentados e da ativa consideram Mohammed um dos mais importantes militantes islâmicos do mundo - talvez mais até que Osama bin Laden - por causa dos atentados de 2001 e de vários outros complôs que ele pode ter orquestrado. Mohammed, suposto chefe de operações da Al-Qaeda, assumiu a responsabilidade pelo 11 de Setembro e admitiu envolvimento em mais de 30 planos durante audiência no sábado na base naval norte-americana de Guantánamo, encravada em Cuba, cuja transcrição foi divulgada pelo Pentágono. "Parece haver algum exagero em termos do que ele diz ser responsável. Mas não há absolutamente nenhuma dúvida de que ele seja possivelmente a figura mais significativa no terrorismo da ´Jihad´ na última década", disse Paul Pillar, ex-analista de inteligência dos EUA para o Oriente Médio e o sul da Ásia. A Al-Qaeda não promove ataques nos EUA desde o 11 de setembro de 2001, e talvez tenha tido envolvimento parcial em atentados na Europa, como o de julho de 2005 em Londres, que matou 52 pessoas. Para especialistas, isso mostra o dano provocado à Al-Qaeda pela captura de Mohammed, em 2003, no Paquistão. Os serviços de inteligência afirmam que a Al-Qaeda, expulsa em 2002 do Afeganistão depois da invasão norte-americana, está tentando se restabelecer no Paquistão, ainda que sob condições menos favoráveis. Autoridades dos EUA dizem que Mohammed fornecia à Al-Qaeda uma capacidade empreendedora sem paralelo, reforçada por seu conhecimento a respeito do Ocidente, obtido nos seus anos como universitário nos Estados Unidos. Já seus supostos sucessores, como Abu Faraj al-Libi e Abu Hamza Rabia, são considerados menos capazes e se mostraram mais fáceis de ser eliminados, segundo autoridades norte-americanas. Libi foi preso em maio de 2005 pelo Paquistão, enquanto Rabia morreu numa explosão em dezembro do mesmo ano, na região paquistanesa do Waziristão, em meio a rumores de um ataque de míssil dos EUA. "Isso não significa que (a Al-Qaeda) não continue tramando, não continue planejando e não tenha capacidade de causar dano. Eles têm. Mas houve uma erosão de liderança e de experiência operacional", disse uma fonte dos EUA, sob anonimato. Mas nem todos os especialistas dão tanta importância a Mohammed. O ex-agente da CIA Robert Baer disse que nem ele nem seus ex-subordinados dentro da Al-Qaeda demonstram a precisão e o sigilo de guerrilhas mais antigas, como o grupo libanês Hezbollah. "É quase como se esses caras fossem palhaços. Por isso provavelmente que não fomos atingidos depois do 11 de Setembro."

Agencia Estado,

15 de março de 2007 | 20h38

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