Al-Qaeda está em seu momento mais fraco desde o 11/9, diz chefe da CIA

Leon Panetta acredita que Irã tenha uma quantidade de urânio enriquecido suficiente para fabricar duas bombas atômicas e afirma que as sanções internacionais, aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, não farão o país abandonar seu programa nuclear

, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2010 | 00h00

   

 

Procurado. Diretor da CIA afirma que o governo americano não tem informações sobre o paradeiro de Bin Laden há anos

 

  O diretor da CIA, Leon Panneta, disse ontem que a Al-Qaeda está em seu momento mais fraco desde os ataques de 11 de setembro de 2001. Em entrevista para a rede americana ABC, o chefe da agência americana de inteligência afirmou que o grupo terrorista teria entre 50 e 100 militantes operando no Afeganistão, enquanto o resto estaria escondido na fronteira do lado paquistanês.

"Estamos envolvidos nas operações mais agressivas da história da CIA naquela região e o resultado é que abalamos a liderança deles", disse Panetta. "O objetivo principal do presidente (Barack Obama) é que nós devemos perseguir a Al-Qaeda. Temos de desmantelar o grupo e seus aliados insurgentes para que eles nunca mais ataquem nosso país."

No entanto, Panetta admitiu que a guerra está mais difícil e demorada do que o previsto. Segundo ele, apesar da campanha militar agressiva nas áreas tribais - incluindo o uso de aviões não-tripulados em espaço aéreo paquistanês - a caça por Osama bin Laden progrediu pouco. A última informação sobre o líder da Al-Qaeda foi recebida há anos.

Problemas. Mesmo com os avanços conquistados pelas tropas americanas, ainda existem problemas. Além da insurgência, o mais grave deles é a corrupção dentro do governo afegão. Para ele, um dos principais pontos é saber se os afegãos aceitarão a responsabilidade de combater a insurgência depois que as tropas deixarem o país - os soldados americanos devem começar a retirada no ano que vem.

Os comentários de Panneta foram feitos dias depois de o general David Petraeus assumir o controle das forças internacionais no Afeganistão, após a demissão do general Stanley McChrystal. O militar foi dispensado na semana passada após criticar o presidente Obama e sua equipe, em entrevista para a revista Rolling Stone.

Panetta não descartou um novo ataque da Al-Qaeda ao país. Para ele, há indícios de que o grupo estaria buscando meios de realizar um atentado e poderia utilizar pessoas que não são suspeitas e vivem nos EUA.

O chefe da CIA afirmou que as autoridades estão em alerta por causa das últimas tentativas de atentados no país - a mais recente foi o carro-bomba na Times Square, cuja detonação falhou.

Segundo Panetta, os conspiradores podem ser orientados pela Al-Qaeda ou por simpatizantes do movimento insurgente, como o major Nidal Hasan, que abriu fogo em Fort Hood, no Texas, a maior base militar do país, matando 13 pessoas, em novembro.

Bomba iraniana. Na entrevista de ontem, Panetta rechaçou a possibilidade de sucesso do acordo de reconciliação mediado pelo Paquistão entre o governo afegão e o Taleban. "Não há sinais de que os insurgentes estão interessados em depor armas e integrar-se à sociedade", afirmou.

As declarações foram feitas depois de informações, ainda não confirmadas pelos EUA, de que o presidente afegão, Hamid Karzai, teria se encontrado pessoalmente com Sirajuddin Haqqani, líder de uma importante facção taleban aliada à Al-Qaeda, levantando suspeitas de um acordo.

Sobre o Irã, o chefe da CIA disse que o país teria urânio enriquecido em quantidade suficiente para fazer duas bombas atômicas. Segundo Panetta, Teerã pode levar dois anos para construir os artefatos - um ano para enriquecer combustível para a bomba e outro para adquirir tecnologia suficiente para viabilizar seu lançamento.

Ele acredita que as sanções econômicas e militares, recentemente aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, devem enfraquecer o regime iraniano, mas não interromperão o programa nuclear.

Durante a entrevista, Panetta esquivou-se de uma pergunta sobre a possibilidade de a desaceleração no enriquecimento de urânio iraniano ter sido provocada por um software americano que teria interferido nos computadores iranianos. "Obviamente, não posso falar sobre operações de inteligência. É suficiente dizer que está claro que eles tiveram problemas."

Panetta também comentou as recentes discussões que envolvem a Coreia do Norte e o recente naufrágio de um navio militar sul-coreano. "Nossos relatórios mostram que existe um processo de sucessão em curso", afirmou. "Parte das provocações norte-coreanas são tentativas de aumentar a credibilidade do filho de Kim Jong-il, provável sucessor. Este é um período perigoso." / REUTERS, AP, NYT E WP

PARA LEMBRAR

Estratégia não muda, apesar de demissão

O presidente Barack Obama ressaltou na semana passada que a estratégia no Afeganistão não será afetada pela demissão do general Stanley McChrystal. O plano estabelecido pelo militar prevê aumento do número de tropas, maior proteção aos civis e mais responsabilidade para autoridades afegãs.

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