Al-Qaeda mata 107 soldados e amplia crise no Iêmen

Combates na Província de Abyan testam autoridade de novo presidente, que prometeu enfraquecer militantes

SANAA, O Estado de S.Paulo

06 Março 2012 | 03h06

Movendo-se furtivamente pelo deserto sem que as forças do Exército iemenita percebessem, militantes da Al-Qaeda lançaram um ataque surpresa contra bases militares no sul do Iêmen, matando 107 soldados. Os insurgentes ainda capturaram armas pesadas - que usaram mais tarde para provocar novas mortes.

Pelo menos 32 militantes foram mortos nos combates do domingo na Província de Abyan. O número de feridos dos dois lados é grande. Autoridades médicas disseram que o serviço deficiente nos hospitais locais contribuiu para a morte de muitos soldados feridos, que poderiam ter sobrevivido caso tivessem recebido uma melhor assistência.

O número de soldados mortos é o mais alto já registrado em batalhas entre o Exército e insurgentes da Al-Qaeda, encorajados pelas agitações políticas que há mais de um ano convulsionam o Iêmen. O ataque dos militantes seria uma resposta da Al-Qaeda à promessa feita pelo recém-empossado presidente Abed Rabbo Mansour Hadi de combater a vertente iemenita da rede terrorista, considerada a mais ativa do mundo.

Hadi reiterou a promessa ontem durante conversas com um diplomata inglês em visita ao país. "O confronto continuará até nos livrarmos do último terrorista, seja em Abyan ou em qualquer outra parte", disse ele, segundo reportou a mídia local.

De acordo com oficiais do Exército, no ataque surpresa perto da cidade de Zinjibar, na Província de Abyan, foram capturados 55 soldados. Os cativos caminharam em formação pelas ruas de Jaar, cidade vizinha que, como Zinjibar, está sob controle da Al-Qaeda há cerca de um ano.

A batalha na Província de Abyan mostra como os militantes se aproveitaram das crescentes agitações criadas pela revolta contra o então presidente Ali Abdullah Saleh - que, no mês passado, transferiu o poder para Hadi.

A dimensão do ataque de domingo também realça a disposição de combate dos militantes, lançando novos ataques numa região que os EUA consideram um campo de batalha-chave na guerra contra a Al-Qaeda. Eles capturaram Zinjibar em maio e Jaar um mês antes, quando as forças de segurança do Iêmen estavam concentradas na repressão da revolta contra Saleh.

O ditador deixou o cargo no mês passado depois de um acordo para transferência do poder patrocinado pelos EUA. Washington espera que o pacto permita aos novos líderes combatere a Al-Qaeda de forma mais eficiente.

Mas os ataques do domingo deixaram claras as dificuldades enfrentadas pelo novo presidente para combater o movimento terrorista e restaurar a autoridade do Estado na anárquica região do sul do país. Na semana passada, o comandante do Exército da região sul, ao qual Abyan pertence, demitiu-se, juntamente com outras autoridades na área de segurança da província.

O ataque da Al-Qaeda levou às ruas milhares de estudantes universitário na cidade de Aden, segunda maior do país depois de Sanaa. / AP

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