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Al-Qaeda no Iêmem responsabiliza Obama por morte de reféns

Em um vídeo divulgado pelo Twitter, Nasr bin Ali al-Ansi responsabiliza ataques americanos por mortes de Somers e Korkie

Estadão Conteúdo

11 de dezembro de 2014 | 11h17

Um importante líder da Al-Qaeda no Iêmen declarou nesta quinta-feira que o presidente Barack Obama é responsável pelas mortes recentes de dois reféns - um norte-americano e ou sul-africano - durante uma fracassada operação de resgate.

A mensagem de vídeo de Nasr bin Ali al-Ansi, postada numa das contas do grupo no Twitter, é o primeiro comentário da Al-Qaeda desde que Luke Somers e Pierre Korkie foram mortos quando forças especiais norte-americanas atacaram uma instalação da Al-Qaeda na tentativa de resgatar os reféns.

Al-Ansi disse ter advertido os Estados Unidos contra tais tentativas, depois do fracasso de uma primeira ação deste tipo em novembro. Ele acusou Obama de imprudência e disse que a ação "fez com que as coisas acontecessem de forma completamente diferente do que queríamos".

Obama disse ter ordenado a operação porque acreditava-se que Somers, um jornalista de 33 anos, estava em "perigo iminente". O presidente afirmou que a morte de Somers foi "um assassinato bárbaro".

Funcionários do governo dos Estados Unidos disseram que cerca de 40 integrantes das forças especiais norte-americanas estiveram envolvidos na tentativa de resgate, que aconteceu após ataques com aviões teleguiados (drones) na região. As equipes de resgate, apoiadas por forças iemenitas, avançaram 100 metros no interior do complexo, localizado na província de Shabwa, quando foram percebidos pelos militantes. Segundo os militares dos Estados Unidos, o confronto que se seguiu durou 30 minutos.

Al-Ansi descreveu a operação de resgate como uma "ordem de execução" e disse que militantes mal equipados defenderam-se dos soldados fortemente armados dos Estados Unidos por cerca de três horas.

As exigências feitas pela Al-Qaeda nunca foram claras. Nesta quinta-feira, Al-Ansi afirmou que a Al-Qaeda queria negociar a libertação de prisioneiros de Guantánamo. Ele também mencionou o xeque Omar Abdel-Rahman, conhecido como o "xeque cego", que cumpre sentença de prisão perpétua nos Estados Unidos por terrorismo.

"Eles poderiam ter ao mesmo negociado conosco algumas cláusulas ou demonstrar sinceridade", afirmou.

Al-Ansi também advertiu que a Al-Qaeda vai continuar a "colocar as vidas de todos os norte-americanos em risco dentro e fora da América...no ar, em solo e no mar".

Washington considera a Al-Qaeda na Península Arábia o braço mais perigoso do grupo terrorista fundado por Osama bin Laden. O grupo é ligado a vários planos sofisticados para atacar o território norte-americano que foram descobertos ou fracassaram. Fonte: Associated Press.

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