Al-Qaeda no Iêmen critica decapitações do Estado Islâmico

Um comandante do grupo disse que cortar as cabeças dos inimigos e filmar os atos como forma de propaganda é uma atitude bárbara

O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2014 | 15h53

Um graduado comandante da Al-Qaeda no Iêmen criticou nesta segunda-feira, 8, as decapitações realizadas pelos rivais do grupo Estado Islâmico. Nasr bin Ali al-Ansi disse que cortar as cabeças dos inimigos e filmar os atos como forma de propaganda é uma atitude bárbara. Ele afirmou também que os ataques americanos com aviões teleguiados (drones) aumentam a popularidade da Al-Qaeda no país.

As declarações de Al-Ansi foram feitas em vídeo, em resposta a perguntas que jornalistas postaram na conta do grupo no Twitter. Aparentemente, as imagens foram feitas antes do assassinato de dois reféns do grupo no último sábado - um americano e um sul-africano - durante uma tentativa de resgate dos Estados Unidos. Al-Qaeda e Estado Islâmico costumam executar prisioneiros, mas a decapitação e outros atos brutais se tornaram uma marca do Estado Islâmico.

A Al-Qaeda no Iêmen, vista por Washington como a mais perigosa afiliada da Al-Qaeda em todo o mundo, já havia criticado o Estado Islâmico anteriormente por tentar expandir seu território.

Extremistas do Estado Islâmico inicialmente lutavam para derrubar o presidente sírio Bashar Assad, mas outros grupos, dentre eles o comando central da Al-Qaeda, critica o grupo por ser muito violento.

Al-Ansi disse que as decapitações anteriores realizadas pela Al-Qaeda no Iêmen foram "atos individuais" e não foram endossados pela liderança. Ele pareceu se referir a decapitação de 15 soldados iemenitas por supostos militantes da Al-Qaeda em agosto.

"Filmar e promover esses atos entre as pessoas em nome do Islã e da Jihad é um grande erro, além de inaceitável seja qual for a justificativa", afirmou Al-Ansi. "É muito bárbaro", declarou.

Há tempos a Al-Qaeda no Iêmen é alvo de ataques de drones norte-americanos, que mataram vários de seus líderes, mas também uma grande quantidade de civis, atraindo críticas do governo e de grupos de direitos humanos.

Al-Ansi disse que os ataques deixam a população indignada, o que aumenta a popularidade da Al-Qaeda. "Embora eles matem alguns dos jihadistas, os ataques com drones dos Estados Unidos aumentam a simpatia dos muçulmanos por nós", disse ele. "Graças ao sangue de alguns mártires, o chamado para a jihad se espalha." / AP

Tudo o que sabemos sobre:
IêmenAl-Qaedadecapitaçõescríticas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.