Al Qaeda no Iraque critica visita do papa à Turquia

A Al Qaeda no Iraque criticou nesta quarta-feira a visita do papa Bento XVI à Turquia, afirmando que ela faz parte de uma "cruzada" contra o Islã. A viagem é a primeira de Bento a um país islâmico como pontífice, buscando diálogo com muçulmanos que se irritaram com um discurso que fez em setembro, no qual citou um texto medieval que vincula o Islã à violência. Al Qaeda no Iraque divulgou o comunicado num site da internet freqüentemente usado por militantes islâmicos. "A visita do papa, na verdade, é para consolidar a campanha dos cruzados contra as terras do Islã depois do fracasso dos líderes cruzados... E uma tentativa de extinguir a brasa do Islã dentro dos irmãos turcos", afirmou. O Vaticano reagiu dizendo que o comunicado da Al Qaeda no Iraque reforça a necessidade de os fiéis combaterem "a violência (perpetrada) em nome de Deus". A autenticidade da declaração da Al Qaeda não pôde ser confirmada. Ela foi assinada pelo "Estado islâmico no Iraque", o chamado governo islâmico que o grupo declarou no começo deste ano e que agora emite todas as mensagem da rede de militantes. O grupo disse que o papa estava fazendo a visita para garantir que a Turquia - "uma vez a fortaleza do Islã" - permaneça secular e "seja levada aos braços da União Européia para finalizar o crescimento do Islã". Insultos A ida do pontífice à Turquia encontrara muita resistência nos últimos meses, depois que Bento XIV, durante um discurso em meados de setembro na Alemanha, criticou o islamismo por recorrer à violência em alguns casos. Citando um diálogo entre o imperador bizantino Manuel II Paleólogo (1391) e um persa, o Papa contou que o governante dizia a seu interlocutor que Maomé defendia "coisas más e desumanas, como sua ordem de divulgar a fé usando a espada". Muçulmanos de todo o mundo entenderam a fala do papa como um insulto e, desde então, têm criticado, ameaçado e insultado o mais alto líder da milenar Igreja Católica. Bento XIV nega que tenha sido sua intenção insultar o islamismo, mas líderes muçulmanos desejam um pedido formal de desculpas, o que ainda não aconteceu, apesar de o para ter dito que "sente muito" por seu pronunciamento. Conteúdo atualizado às 17h02

Agencia Estado,

29 Novembro 2006 | 16h47

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