Al-Qaeda no Magreb assume autoria de atentados na Argélia

Segundo ministro do Interior, 26 pessoas morreram no duplo atentado; diplomatas falam em 62 mortos

REUTERS

11 de dezembro de 2007 | 18h36

O braço da Al-Qaeda no norte da África, conhecido como Al-Qaeda no Magreb, informou em comunicado divulgado na Internet que seus membros conduziram um ataque duplo na capital da Argélia nesta terça-feira, 11. Segundo o grupo terrorista, 110 pessoas morrem no atentado, que teria sido perpetrado com caminhões-bomba.  Veja também:Atque duplo mata 67; ONU seria um dos alvosONU pode ter 5 mortos; 14 estão desaparecidos Os ataques foram promovidos por Abdul-Rahman al-Aasmi e Ami Ibrahim Abou Othman, informou o grupo em comunicado divulgado num site islâmico. O site também mostrou fotos dos autores dos atentados segurando rifles.  Ainda segundo o comunicado postado no site islâmico, os caminhões carregavam 800 quilos de explosivos, e tinham como objetivo "atacar o quartel general dos infiéis internacionais", numa clara referência à ONU, e destruir a sede do Conselho Constitucional da Argélia.  O número de mortos reivindicado pelo grupo terrorista contrasta com as cifras divulgadas por membros do governo e fontes independentes. Segundo o Ministério do Interior argelino, ao menos 26 pessoas morreram - incluindo cinco funcionários de uma agência da ONU - e 177 ficaram feridas nos ataques. Diplomatas europeus e equipes de resgate falam em 62 mortos. Para uma fonte do Ministério da Saúde ouvida pela Reuters, no entanto, são 67 os mortos.  O primeiro-ministro argelino, Abdelaziz Belkhadem, por sua vez, disse que o governo não tem porque esconder o número de mortos. Para ele, é imoral que a imprensa internacional "especule" sobre o total de afetados. Série de ataques Os dois caminhões-bomba explodiram em diferentes pontos da capital, com poucos minutos de diferença. O primeiro teve como alvo as sedes do Tribunal Supremo e do Conselho Constitucional, situadas no bairro residencial de El-Biar. Segundo testemunhas, ao menos 15 estudantes que estavam dentro de um ônibus escolar morreram.  Já o segundo carro-bomba explodiu em frente à sede ONU, no bairro de Hydra. De acordo com as Nações Unidas, ao menos cinco de seus funcionários podem ter morrido no ataque. "Eu não tenho dúvidas de que a ONU era o alvo", disse o Alto Comissariado para Refugiados, Antonio Guterres. "Está uma nova conquista de sucesso levada a cabo pelos Cavaleiros da Fé em defesa da nação islâmica, que está ferida", disse o comunicado da Al-Qaeda. De acordo com os radicais, 60 pessoas morreram no primeiro ataque, enquanto outras 50 foram vitimadas no segundo.  "A conquista vem para lembrar aos cruzados que ocupam nossas terras que eles devem ouvir com cuidado às demandas e discursos do nosso xeque Osama bin Laden, que Deus o proteja", diz o comunicado.

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