Al Qaeda pede a somalis que ataquem tropas etíopes

O principal assessor de Osama bin Laden fez um apelo em uma fita de áudio divulgada na internet na sexta-feira, para que os muçulmanos da Somália lancem uma campanha de guerrilha com ataques suicidas, parecida com a do Iraque, contra as forças da Etiópia que estão na Somália. Para tentar resolver o impasse, o Grupo de Contato Internacional na Somália - que inclui representantes dos Estados Unidos, Europa e África - terá uma reunião nesta sexta-feira em Nairóbi, capital do Quênia. "Como aconteceu no Iraque e no Afeganistão, quando a maior potência do mundo foi derrotada pelas campanhas das tropas mujahideen (combatentes da guerra santa) que irão para o céu, seus escravos devem ser derrotados nas terras muçulmanas da Somália", disse Ayman al-Zawahri. "Vocês têm de emboscar, atacar com minas e promover campanhas de martírio para expulsá-los", disse Zawahri, segundo líder mais importante na hierarquia da Al Qaeda. A fita foi divulgada por um site geralmente usado por grupos de militantes islâmicos e por organizações ligadas à Al Qaeda. As forças etíopes ajudaram o governo interino da Somália a expulsar milicianos islâmicos em uma guerra de duas semanas. O Conselho de Tribunais Islâmicos da Somália, que havia imposto a lei muçulmana pelo sul do país, abandonou a capital Mogadíscio na semana passada em meio aos avanços das forças etíopes e do governo somali.Reunião pela paz A comunidade internacional deve iniciar esforços para estabilizar a situação na Somália nesta sexta-feira.O secretário da União Européia para Relações Exteriores, Javier Solana, disse que deseja ver um governo ?inclusivo? na Somália o mais rápido possível, com a substituição da presença militar etíope por forças de paz da União Africana ou na Organização das Nações Unidas (ONU).O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, opinou sobre o assunto dizendo que é a favor da presença de tropas da União Africana.O Exército somali retomou o território que estava sob o comando das forças da União das Cortes Islâmicas com o apoio do Exército da Etiópia e combates com os milicianos ocorreram nos últimos dias na região da fronteira entre Somália e Quênia.CercadosNa quinta-feira, um porta-voz do governo interino, Abdirahman Dinari, disse que as forças do governo tinham encurralado cerca de 600 milicianos com o apoio da Etiópia e de navios da marinha americana.O Quênia reforçou a vigilância na fronteira para evitar a entrada dos rebeldes, mas a ONU disse que a medida também estava prejudicando os refugiados somalis que buscavam abrigo no país vizinho.Em Mogadíscio, capital da Somália, uma tentativa de desarmamento da população por parte do governo não teve sucesso. Há temores sobre o ressurgimento das tensões.A Somália enfrenta uma séria crise institucional, com a ausência de um governo central de fato desde 1991, quando o poder foi ocupado por diversas facções independentes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.