Al-Qaeda 'provavelmente' atacou embaixada, diz Dinamarca

Explosão de carro-bomba ocorre após ameaças islâmicas por publicação de caricaturas de Maomé

Agências internacionais,

03 de junho de 2008 | 09h10

A rede extremista Al-Qaeda ou algum grupo ligado a ela "provavelmente" está por trás da explosão de carro-bomba que na segunda-feira provocou a morte de seis pessoas e feriu 35 na Embaixada da Dinamarca em Islamabad, no Paquistão, segundo a interpretação do serviço secreto dinamarquês. Nesta terça, 3, investigadores paquistaneses reviravam os destroços deixados pela explosão em busca de pistas que possam levar aos responsáveis pelo atentado. Investigadores dinamarqueses também deverão participar do inquérito.   No momento, a polícia tenta determinar se o ataque foi uma ação suicida. O oficial de polícia Ahmed Latif disse que a pessoa que conduziu o carro até a embaixada aparentemente usou placas diplomáticas falsas para se aproximar do edifício. O ataque ocorreu semanas depois de a Al-Qaeda ter ameaçado diretamente a Dinamarca por causa da publicação de caricaturas do profeta Maomé consideradas ofensivas. Depois do ataque, o serviço secreto dinamarquês, conhecido pelas iniciais Pet, observou que a embaixada em Islamabad era o alvo provável.   "Na avaliação do Pet, a Al-Qaeda ou algum grupo ligado a ela provavelmente está por trás do ataque", disse Jakob Scharf, diretor da agência de espionagem. Ainda segundo ele, "uma série de outros grupos islâmicos do Paquistão poderiam ter intenção e capacidade de atacar alvos dinamarqueses" no país asiático. Até o momento, nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque.   Dos seis mortos, cinco eram paquistaneses e um tinha cidadania dinamarquesa. Uma brasileira que trabalhava na embaixada como contadora sofreu escoriações superficiais no ataque, informou o Itamaraty. Segundo a BBC, Maria Iraíse Nobre, de 43 anos, mora há 12 anos no Paquistão e é contadora da embaixada da Dinamarca.   As caricaturas, inicialmente publicadas pelo principal jornal dinamarquês, o Jyllands-Posten, provocaram entre janeiro e fevereiro de 2006 uma onda sem precedentes de violentos protestos contra a Dinamarca em países muçulmanos, boicotes aos produtos dinamarqueses e ataques incendiários contra sedes diplomáticas européias. Quarenta e oito pessoas morreram no início de 2006, a maioria atingida por disparos da polícia durante protestos na Nigéria, no Afeganistão, na Líbia e no Paquistão, entre outros países. Quando a situação parecia ter se acalmado, um desses desenhos - o de Maomé com um turbante em formato de bomba - foi publicado novamente em 13 de fevereiro, desencadeando de novo a ira de muçulmanos.

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