Al-Qaeda quer decidir sucessor de líder taleban, diz Paquistão

Governo paquistanês admite que não tem provas da morte de Baitullah Mehsud, chefe do grupo no país

Efe,

10 de agosto de 2009 | 11h37

A rede terrorista Al-Qaeda está tentando intervir na designação do novo líder do Taleban no Paquistão, após a suposta morte de Baitullah Mehsud, disse nesta segunda-feira, 10, o ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik. Em declarações à rede privada Dawn, Malik admitiu que ainda não há "prova científica" da morte de Mehsud, como o cadáver ou restos de DNA, mas várias fontes informaram de seu falecimento, entre elas o principal serviço secreto do Paquistão (ISI).

 

A importância de sua morte é comparável à do líder iraquiano da Al-Qaeda, Abu Musav al-Zarqawi, em junho de 2006. Como líder do Taleban paquistanês, Mehsud controlava cerca de 20 mil rebeldes. O Taleban paquistanês distingue-se do Taleban do Afeganistão, embora esteja relacionado a ele. Acredita-se que a Al-Qaeda auxilie o grupo paquistanês com apoio financeiro e orientações.

 

Segundo Malik, também chegaram informações ao governo sobre a morte vindas do médico que tratava Mehsud na zona, à qual as tropas governamentais não têm acesso, antes do ataque com mísseis de um avião não-tripulado americano que teria matado o líder taleban, no último dia 5. Desde sexta-feira passada, as autoridades paquistanesas afirmam que o líder do movimento Tehrik-i-Taleban Paquistanês (TTP) morreu neste ataque americano, cometido na região tribal do Waziristão do Sul, reduto de Mehsud.

 

O governo está à espera de encontrar o cadáver do líder taleban para fazer um anúncio oficial de sua morte, apesar de fontes de inteligência paquistanesas e americanas afirmarem à imprensa que possuem informação crível sobre a morte. No entanto, três importantes líderes e porta-vozes do TTP, que reúne os grupos taleban paquistaneses, disseram que Mehsud está um pouco doente, mas vivo e que está escondido em um lugar desconhecido, por motivos de segurança, mas nenhum ofereceu provas disso.

 

Segundo fontes de inteligência citadas pela imprensa paquistanesa, um destes porta-vozes, Hakimullah Mehsud, primo e estreito colaborador de Baitullah, morreu em uma disputa dentro do movimento insurgente em torno da sucessão na liderança do Taleban paquistanês. A imprensa especulou os nomes de Hakimullah, Waliur Rehman e Azmatullah como possíveis candidatos para substituir Baitullah Mehsud, e deu conta da realização de uma "shura" (reunião) para decidir a sucessão, durante a qual aconteceu um enfrentamento entre os dois primeiros.

 

"Temos informações de que dois deles (Hakimullah e Rehman) provavelmente morreram ou ficaram feridos. Houve reuniões da cúpula taleban, não está claro se para designar o sucessor de Mehsud, mas há dados indicando que estão sendo muito acaloradas", disse à Agência Efe uma fonte do ISI. Segundo a fonte, "estes choques dão mais credibilidade ainda" à divulgada morte do líder taleban.

 

O jornal paquistanês The News afirmou, citando fontes de segurança e da insurgência, que a disputa na cúpula do grupo tem raiz no controle de fundos de aproximadamente 3 bilhões de rúpias (US$ 37,5 milhões) em armas, munição e outros. Apesar destes supostos problemas internos, os fundamentalistas atacaram um posto de controle das forças de segurança na região tribal do Waziristão do Norte, mas as tropas responderam à ação e mataram três insurgentes, segundo uma fonte oficial citada pela Dawn.

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