Al-Qaeda quer trocar refém francês por militantes presos

A Al-Qaeda no Magreb Islâmico, um braço do grupo no norte da África, exigiu a libertação de quatro membros da rede extremista em troca de Pierre Camatte, refém francês capturado há dois meses. "Nós damos à França e ao Mali 20 dias a partir da data deste comunicado para responder à nossa exigência legítima, do contrário os dois governos serão completamente responsáveis pela vida do refém francês", afirmou o grupo em comunicado com data de ontem. No entanto, a proposta está em uma mensagem divulgada hoje em um site frequentemente usado por militantes.

AE-AP, Agencia Estado

11 de janeiro de 2010 | 13h03

O grupo anunciou no mês passado o sequestro de Camatte no Mali, em 25 de novembro, e de três espanhóis na Mauritânia, cinco dias depois. "Nós convocamos a opinião pública francesa e a família dos reféns para exercer pressão sobre o governo de Sarkozy (Nicolas Sarkozy, presidente da França) e evitar que ele se comprometa com a mesma estupidez cometida por Gordon Brown (primeiro-ministro da Grã-Bretanha) em relação ao cidadão britânico", afirmou o texto.

O grupo se referiu ao assassinato do refém britânico Edwin Dyer, em 31 de maio, após o Reino Unido se recusar a pagar um resgate para libertar um religioso radical islamita, detido na Grã-Bretanha. Dyer era um dos quatro turistas europeus - entre eles dois altos enviados das Nações Unidas - sequestrados no ano passado perto da fronteira entre o Mali e a Nigéria. Eles foram provavelmente capturados por homens armados locais e transferidos para a Al-Qaeda.

Um dos quatro reféns, Werner Greiner, um suíço, foi libertado em julho de 2009, após passar seis meses em cativeiro no Mali. A mulher dele e outra alemã foram libertadas em abril de 2009, junto com dois enviados canadenses da Organização das Nações Unidas (ONU) que foram capturados em outra ação, em dezembro de 2008.

Espanhóis

O grupo ainda não divulgou as condições para libertar os três espanhóis que viajavam em um comboio que distribuía auxílio a moradores pobres de vilarejos na costa da Mauritânia quando foram sequestrados. Em comunicado anterior, o grupo disse que o sequestro foi retaliação contra "a guerra ''dos Cruzados'' contra os muçulmanos e o Islã em toda parte e a morte de pessoas inocentes e a ocupação de suas terras".

A autenticidade do comunicado de hoje não pôde ser imediatamente verificada. O texto foi divulgado por um site militante que geralmente publica comunicados e vídeos da Al-Qaeda e de outros grupos militantes. A Al-Qaeda no Magreb Islâmico opera em grande parte na Argélia, mas suspeita-se que o grupo venha cruzando a porosa fronteira desértica do país para realizar atos violentos em outros pontos do noroeste africano.

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