Al-Qaeda recruta crianças para ataques no Iraque, diz ONU

A rede terrorista Al-Qaeda no Iraque usa dezenas de crianças com incapacidade mental para participar de atentados suicidas, denunciaram nesta quarta-feira, 11, as Redes Integradas de Informação Regional (Irin, em inglês), organismo das Nações Unidas.Dois menores recrutados por células da rede terrorista "foram usados" em 21 de março em um atentado suicida contra um mercado popular de Bagdá, segundo um comunicado da Irin divulgado hoje que cita fontes governamentais.A Irin funciona como a agência de notícias da ONU e está vinculada ao Escritório das Nações Unidas para Assistência Humanitária (Ocha)."As crianças foram colocadas na parte traseira de um carro enquanto dois adultos preparavam o ataque. Quando chegaram ao mercado, (os dois adultos) abandonaram o veículo e deixaram os menores dentro dele", disse o porta-voz do Ministério do Interior iraquiano, Khalid Sami.Sami acrescentou que em seguida os terroristas "detonaram a carga explosiva, o que causou a morte das duas crianças e de outras cinco pessoas".Depois foi confirmado que os dois menores sofriam de incapacidade mental, por isso "certamente não sabiam o que estavam fazendo", disse o funcionário.Membros de uma ONG iraquiana, que preferiram permanecer no anonimato, afirmaram que haviam recebido vários relatórios nos quais se denuncia o uso de menores com incapacidade mental em atentados, especialmente na província de Diyala e nas cidades de Ramadi e Faluja.A rede terrorista recruta os menores com a autorização das famílias ou mediante o seqüestro."Algumas crianças são entregues pelas próprias famílias, mas outros são vítimas de seqüestros por parte da insurgência quando descobrem que têm problemas mentais. Alguns são seqüestrados inclusive na portas de casa ou da escola", disse o porta-voz da ONG.A fonte acrescentou que muitos menores que ficaram órfãos em conseqüência da invasão das forças multinacionais lideradas pelos Estados Unidos em 2003 "colaboram agora com a insurgência como espiões"."Os menores estabelecem relações com a população iraquiana para obter informação, enquanto outros são usados como isca para distrair as forças de segurança enquanto os insurgentes preparam atentados", disse o responsável da ONG.Segundo a fonte, pelo menos 12 crianças morreram neste tipo de operação por não ter tido tempo de se afastar antes da explosão.

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