Al-Qaeda ''recupera'' 11 ex-presos de Guantánamo

Sauditas soltos voltaram a entrar em lista de terroristas procurados, acirrando polêmica sobre fechamento da prisão americana em Cuba

NYT e AP, O Estadao de S.Paulo

05 de fevereiro de 2009 | 00h00

A Arábia Saudita revelou ontem que 11 cidadãos sauditas que passaram pela prisão americana de Guantánamo, em Cuba, integram hoje a lista dos 85 jihadistas mais procurados pelo reino. Os ex-detentos teriam ainda sido submetidos ao programa de reabilitação de terroristas promovido por Riad (mais informações ao lado). Na semana passada, o Pentágono havia admitido que dois ex-detentos da prisão americana hoje fazem parte da célula da Al-Qaeda no Iêmen. As revelações prometem esquentar ainda mais a discussão sobre o fechamento de Guantánamo, ordenado pelo presidente Barack Obama no dia 21, um dia após assumir a Casa Branca. Segundo o decreto presidencial, a prisão será fechada dentro de um ano, mas até agora Obama não esclareceu o que será feito com os 248 suspeitos de terrorismo que ainda estão detidos. Europeus e os países de origem dos prisioneiros relutam em receber em seu território os atuais encarcerados. Ao todo, 117 sauditas presos em Guantánamo foram repatriados, mas ainda restam 16 na prisão americana. No entanto, o ministro do Interior da Arábia Saudita, general Mansour al-Turki, atenuou a cifra revelada ontem: "Fora essas 11 pessoas (que constam na lista dos mais procurados), há outros 106 que passaram por Guantánamo e pelos centros de reabilitação e hoje estão indo bem." Por causa das garantias dadas pelo governo saudita, os EUA concordaram em repatriar a maior parte dos detentos nascidos no reino. Mas um relatório do Pentágono que veio a público no dia 13 revelou que o número de ex-prisioneiros sauditas que voltaram a integrar grupos terroristas pode chegar a 61 - portanto, mais da metade dos 117.O fechamento de Guantánamo tem amplo apoio da opinião pública americana. Mas analistas destacam que o aumento de atentados perpetrados por ex-detentos pode mudar a percepção favorável.Ontem, o Parlamento Europeu, braço legislativo da União Europeia, indicou que países membros do bloco poderão receber prisioneiros de Guantánamo. No entanto, não foram especificadas as condições exigidas pela UE ao governo Obama.

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